O Ministério Público do Paraná (MP-PR), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), denunciou a esposa do deputado estadual Ricardo Arruda (PL) e três assessores do parlamentar, apontando a participação em um suposto esquema de rachadinha comandado pelo político. A investigação apura o repasse de parte dos salários de servidores comissionados ao deputado, com crimes de lavagem de dinheiro e concussão cometidos entre 2018 e 2023, envolvendo valores de aproximadamente R$ 132,8 mil[1][2].

Segundo a denúncia, Ricardo Arruda exigia os repasses de servidores comissionados, recebendo os valores de forma indireta, com uso de mecanismos para ocultar a origem e o destino dos recursos. O deputado não integra a atual ação penal por já ter sido denunciado pelo mesmo esquema em 2024[1][2].

Os quatro denunciados são: Patrícia Miranda Arruda Nunes (esposa do deputado), acusada de oito crimes de lavagem de dinheiro e um de concussão; Bruno Palazzo, com dez crimes de lavagem de dinheiro e dois de concussão; Lucas Sabbato, por um crime de lavagem de dinheiro; e André Cassinelli, por dois crimes de lavagem de dinheiro[1][2].

O esquema operava de diferentes formas: em três episódios, o dinheiro transferido foi usado para comprar moeda estrangeira entregue ao parlamentar; em outros casos, os repasses ocorreram via cartões de crédito para custear despesas da esposa do deputado, além de transferências bancárias, saques, depósitos em contas de terceiros e pagamentos de despesas pessoais ou da empresa familiar do parlamentar[1][4]. Em 2023, dois acusados atuaram diretamente na exigência de repasses e na ocultação dos valores por depósitos em espécie[1].

A denúncia foi recebida pela 2ª Vara Criminal de Curitiba, que deferiu o pedido de afastamento das funções públicas de Bruno Palazzo, que ainda ocupa cargo comissionado na Assembleia Legislativa do Paraná. O MP-PR afirma que a dispensa evita interferência na apuração e assegura o andamento do processo[1][2].

A assessoria do deputado Ricardo Arruda afirmou que as acusações são inverídicas e que confia na Justiça Paranaense, que “reconhecerá a verdade e absolverá todos os envolvidos nas injustas acusações do Gaeco”[1].