Mulheres brasileiras já comandam duas de cada dez propriedades rurais, representando 20% do total de estabelecimentos agrícolas no país. Segundo dados do Censo Agropecuário do IBGE (2017), 947 mil mulheres estão à frente de unidades produtivas, gerindo cerca de 30 milhões de hectares — o que equivale a 8,5% da área explorada na zona rural brasileira [1][3].

A presença feminina é mais forte em propriedades de até 20 hectares, especialmente na agricultura familiar, onde elas atuam como protagonistas desde o plantio até a gestão comercial. O levantamento, elaborado pela Fundação IDH com base no estudo "Mulheres nas Cadeias de Valor do Agronegócio Brasileiro", revela que a participação feminina cresceu 38% em relação ao Censo de 2006, quando apenas 13% das propriedades eram comandadas por mulheres [1][3].

Desigualdade salarial e barreiras culturais persistem. Apenas 17,4% das mulheres do setor recebem mais de três salários mínimos, enquanto 29,8% dos homens atingem esse patamar. O estudo aponta que o acesso à gestão ainda enfrenta "barreiras culturais severas", incluindo pressão doméstica para que mulheres abandonem cargos de liderança — especialmente na cultura da soja, a mais importante da economia nacional [1][2].

Por cadeia produtiva, a pecuária lidera a participação feminina: 33% das propriedades com produção pecuária têm mulheres liderando a atividade. No cacau, elas gerem 22% das propriedades, com destaque na Bahia e no Pará. Em citros (laranja, limão, tangerina, lima ácida e toranja), a liderança feminina alcança 18%. Na soja, representam 17% da força de trabalho na produção primária. No café, a gestão feminina ocorre em 13,2% dos estabelecimentos, mas nas propriedades comandadas por mulheres, a participação feminina na mão de obra chega a 43% — bem acima dos 24% observados sob comando masculino [1][2].

A cana-de-açúcar apresenta os menores índices: apenas 8,8% das mulheres compõem a força de trabalho e 5,4% estão em cargos de liderança. Apesar disso, a Fundação IDH destaca que as mulheres dedicadas à atividade rural são "campeãs de inovação", com prioridade à responsabilidade social e técnicas avançadas de conservação do solo [1][2].

A Fundação IDH (Iniciativa de Comércio Sustentável, sigla em holandês) atua no Brasil em Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, promovendo a igualdade de gênero no agronegócio [1].

Fonte: Agência Brasil - Economia.