Em uma operação histórica e sem precedentes, a Nasa está preparando o lançamento de uma nave robótica para resgatar o Observatório Neil Gehrels Swift, um telescópio espacial que perdeu altitude crítica e corre risco de reentrar na atmosfera terrestre antes do final de 2026[1][2]. A missão envolve o lançamento da espaçonave 'Link', desenvolvida pela empresa Katalyst Space Technologies, que terá a tarefa de localizar o telescópio, acoplar-se a ele e impulsioná-lo para uma órbita mais alta, estendendo sua vida útil operacional por, no mínimo, cinco anos[3].

O lançamento da missão está previsto para ocorrer em junho de 2026, com a integração da nave 'Link' ao foguete Pegasus no Wallops Flight Facility, na Virgínia, e o subsequente lançamento da aeronave L-1011 da empresa a partir das Ilhas Marshall[4]. A espaçonave foi desenvolvida em tempo recorde: o projeto foi aprovado em setembro de 2025 e a nave foi concluída em poucos meses, demonstrando a urgência da situação[1][3].

Por que o telescópio está caindo?

O Swift foi lançado em 2004 a uma altitude de 600 km e, ao longo de duas décadas, sua órbita caiu a cerca de 370–400 km devido à falta de um sistema de propulsão próprio e ao aumento do atrito atmosférico[1][2]. Esse atrito foi intensificado pela recente atividade solar mais forte, que expandiu as camadas externas da atmosfera terrestre, acelerando a descida do observatório[1][2]. Em 2024, a equipe da missão percebeu que a órbita do Swift estava decaindo mais rápido do que o previsto, elevando a probabilidade de reentrada incontrolada a 90% até o final de 2026[2][3].

O Swift é um instrumento científico vital para a detecção de explosões de raios gama (GRBs), eventos extremamente energéticos que liberam, em segundos, mais energia do que o Sol produzirá em toda a sua existência[1]. Desde sua ativação, o telescópio registrou mais de 2 mil dessas explosões e ajudou cientistas a investigar fenômenos ligados à formação de elementos pesados, como ouro e platina, além de identificar a origem de GRBs em supernovas e fusões de estrelas de nêutrons[1][2].

Resgate nunca foi tentado

A operação planejada pela Nasa será uma das mais desafiadoras já realizadas com um observatório científico em atividade. A nave 'Link' precisa localizar o telescópio, aproximar-se com precisão milimétrica e utilizar braços robóticos para se conectar a uma estrutura que nunca foi projetada para esse tipo de manobra[1]. Após o acoplamento, a nave deverá elevar gradualmente a órbita do Swift ao longo de várias semanas, um processo complexo que exige controle absoluto[1].

Segundo a agência espacial, o desenvolvimento da nave ocorreu em tempo recorde, com o projeto aprovado em setembro de 2025 e a espaçonave pronta em poucos meses[1][3]. Os engenheiros ainda enfrentam vários desafios, incluindo o estado do telescópio após mais de duas décadas em órbita e a possibilidade de novas tempestades solares que podem acelerar ainda mais a perda de altitude[1]. Se o Swift descer para menos de 300 km, a missão de resgate poderá se tornar inviável[1].

Apesar dos riscos, a Nasa considera que vale a pena tentar preservar o observatório, que continua operacional e desempenha um papel crucial na observação de eventos cósmicos transitórios, exigindo respostas rápidas dos instrumentos científicos[1]. O Swift recebe cerca de cinco solicitações de acompanhamento por dia de outros telescópios, tornando sua perda uma grande lacuna científica sem substituição planejada[1][2].