Um abaixo-assinado batizado de "Argentina Out" se tornou um dos maiores fenômenos da internet nas últimas semanas e, até agora, ninguém sabe oficialmente quem está por trás dele.

O que pede a petição

Hospedada no site argentinaout.com, a campanha exige a exclusão da seleção argentina das próximas edições da Copa do Mundo. O texto que acompanha a iniciativa acusa a Fifa e as equipes de arbitragem de terem favorecido a Argentina e Lionel Messi ao longo de todo o torneio nos Estados Unidos, Canadá e México.

Como a mobilização cresceu

A petição nasceu logo após as oitavas de final, quando a Argentina buscou uma virada dramática sobre o Egito, revertendo um placar de 0 a 2 com três gols nos minutos finais da partida — resultado que veio cercado de questionamentos sobre decisões da arbitragem. A partir daí, o abaixo-assinado só ganhou força: passou de 10 milhões de assinaturas ainda durante a semifinal contra a Inglaterra, quando a exibição de uma faixa reivindicando as Ilhas Malvinas como território argentino gerou ainda mais revolta internacional, e disparou depois da final, perdida para a Espanha por 1 a 0 na prorrogação.

No total, a campanha somou 23.316.108 assinaturas de pessoas de cerca de 170 países em menos de uma semana ficando a pouco mais de 1 milhão de assinaturas do recorde mundial reconhecido pelo Guinness, hoje nas mãos do movimento Jubilee 2000, que reuniu 24.319.181 apoios em 1997 em defesa do perdão da dívida externa dos países mais pobres.

Quem está por trás do site

E é aqui que mora o mistério: apesar do tamanho da mobilização, a autoria da petição segue anônima. O domínio argentinaout.com foi registrado com proteção de privacidade recurso legal e comum, mas que também costuma ser usado por sites fraudulentos para esconder a identidade dos donos. Nenhuma organização, torcida ou grupo assumiu publicamente a criação da campanha, e cópias do site incluindo versões com nomes parecidos já surgiram na internet tentando surfar na onda de tráfego.

A petição tem algum efeito real?

Não. Apesar do volume histórico de assinaturas, a Fifa não utiliza abaixo-assinados populares como critério para aplicar sanções ou excluir seleções de torneios. A entidade máxima do futebol é a única com poder para decidir sobre a participação de uma seleção em competições oficiais, e não há qualquer indicação de que a Argentina corra risco real de ficar de fora da próxima Copa por causa da mobilização.

Vale lembrar, porém, que a Fifa abriu de forma independente da petição um processo disciplinar para apurar a confusão registrada entre jogadores logo após a derrota argentina na final, envolvendo nomes como Nahuel Molina, Leandro Paredes, Thiago Almada e o auxiliar técnico Roberto Ayala.

Não é a primeira polêmica do tipo

Mobilizações digitais contra seleções ou resultados têm se tornado comuns em grandes torneios. Ainda durante esta Copa, torcedores argentinos e franceses criaram petições menores questionando arbitragens específicas — nenhuma delas com qualquer validade oficial até o momento.