A Nissan está trabalhando intensamente para reduzir os custos de modelos produzidos no México, em uma tentativa clara de amenizar o impacto das tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos, que tornaram seus veículos mais difíceis de vender no mercado norte-americado. O CEO da montadora, Ivan Espinosa, afirmou à Bloomberg Television que a empresa está focando especialmente nos veículos atualmente sujeitos a essa sobretaxa, que “estão tornando parte da linha que trazemos do México difícil de vender”[1][2].

“Dada a pressão que o mercado dos EUA enfrenta hoje em termos de acessibilidade, vemos que alguns compradores podem migrar para esse tipo de veículo, então estamos trabalhando fortemente para torná-los mais competitivos”, explicou Espinosa durante a entrevista ao programa Bloomberg Surveillance na quarta-feira[3]. As tarifas sobre o crossover Kicks e o compacto Sentra adicionam cerca de US$ 2.500 a US$ 3.000 por veículo, o que eleva significativamente o preço final para o consumidor[4].

Os modelos produzidos no México representaram mais de um terço das vendas da Nissan nos Estados Unidos no ano passado. Entre eles, destacam-se o Sentra e o Kicks, além de três modelos descontinuados: o sedã Versa e os crossovers QX50 e QX55 da marca Infiniti[2]. O Versa foi o último veículo do ano-modelo 2025 vendido nos EUA por menos de US$ 20.000, tornando-o um alvo sensível para as novas tarifas[1].

A Nissan tem criticado as tarifas mais altas impostas pela administração do presidente americano Donald Trump, alegando impactos na acessibilidade, já que os preços de carros novos permanecem próximos de níveis recordes. Embora a empresa tenha deslocado parte da produção para reduzir sua exposição às tarifas, manteve modelos de entrada como o Sentra e o Kicks no México para aproveitar custos de mão de obra mais baixos[1]. Segundo a montadora, a tarifa de 25% pode forçar uma ampla reformulação de sua pegada de fabricação, com possibilidade de transferir produção para fábricas no Japão, país que Trump não impôs novas tarifas até agora[4].

Em meio às negociações entre Estados Unidos, México e Canadá que se arrastam além do prazo de 1º de julho para a renovação do acordo de livre comércio, a Nissan busca alívio para evitar a tarifa de 25%, sugerindo que uma tarifa de 10%-15% seria mais aceitável[6]. A empresa já suspende encomendas dos modelos Infiniti QX50 e QX55 produzidos no México para os Estados Unidos, enquanto mantém a produção do Nissan Rogue na fábrica de Smyrna, no Tennessee, para isentar-se dos novos direitos aduaneiros[2][3].

Fonte original: InvestNews – Negócios.