Uma nova fase da **Operação Rejeito**, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em Minas Gerais, expôs um esquema sofisticado de **espionagem ilegal** envolvendo empresários do setor de mineração e aliados do ex-presidente de estado de Minas Gerais, **Ronaldo Zema**.

Os levantamentos da PF indicam que **Alan Cavalcante do Nascimento**, proprietário da **Fleurs Global Mineração**, é o chefe de uma organização criminosa que monitorava clandestinamente juízes, autoridades públicas e particulares. Sua esposa, **Tayná Vitória Cerqueira Gouveia**, também atuava como articuladora do grupo. Ambos foram presos preventivamente na operação[1][2].

O grupo criminoso contratou uma empresa clandestina para realizar atos de espionagem, utilizando métodos como **vigilância presencial**, dispositivos de rastreamento e registros fotográficos. A investigação revelou que o grupo conseguiu obter ilegalmente dados protegidos por **sigilo bancário e telefônico**[1].

Entre os alvos da espionagem estavam **Caio Mário Trivellato Seabra Filho**, diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), e **Guilherme Santana Lopes Gomes**, ex-diretor da mesma agência, ambos presos na operação[2]. O grupo também foi acusado de **corromper servidores públicos** em órgãos estaduais e federais de fiscalização ambiental para obter autorizações e licenças fraudulentas[2].

A PF identificou a existência de um grupo na plataforma **WhatsApp**, chamado "Três Amigos da Mineração", cujos membros incluíam, além de Alan Cavalcante, **João Alberto Paixão Lages** e **Helder Adriano de Freitas**, vinculados à empresa **Minerar Participações S.A.**[1]. O espaço digital era utilizado para trocar informações sobre a espionagem ilegal[1].

De acordo com o relatório da PF, a prática do grupo tinha como propósito garantir o "**controle estratégico**" e a "**antecipação de possíveis reações institucionais**" adversas às atividades do grupo[1]. Entre as mineradoras citadas nas investigações aparece com destaque a **Fleurs Global**, de Alan Cavalcante, por envolvimento em **fraudes documentais** e **descarte ilegal de rejeitos** na Serra do Curral, além de operar irregularmente na região, gerando danos socioambientais[1].

A operação também envolveu **Rodrigo de Melo Teixeira**, ex-delegado da Polícia Federal de Minas Gerais e ex-diretor de Polícia Administrativa, que foi preso na operação[2]. O grupo criminoso é responsável por crimes ambientais, corrupção e lavagem de dinheiro, com um lucro estimado de **R$ 1,5 bilhão**[3].