Pesquisadores do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas da Argentina (CONICET) e da Universidade de Buenos Aires (UBA) desenvolveram uma técnica inovadora para medir rapidamente os níveis de fosfato no solo utilizando apenas um celular. O método, que combina um reagente químico específico com a câmera do smartphone, permite determinar a concentração do composto em cerca de 30 minutos, com precisão adequada para aplicações agrícolas e ambientais[2][3].
A tecnologia funciona por meio de uma reação que gera uma coloração verde na amostra após a adição do reagente. A intensidade dessa cor é proporcional à concentração de fosfato presente. A câmera do celular captura a imagem, e o software analisa os valores de vermelho, verde e azul de cada pixel, convertendo-os em números que permitem calcular a absorbância digital — um valor análogo à absorbância usada na espectrofotometria clássica[2][4].
Os métodos tradicionais de medição de fosfato são caros e complexos, o que dificulta o acesso por pequenos produtores e agricultores familiares. Com essa nova abordagem portátil e de baixo custo, a quantificação de fosfato torna-se acessível em diferentes contextos: solos agrícolas, amostras clínicas e análise da qualidade da água[1][2].
O fosfato é um elemento essencial para a saúde humana e para o desenvolvimento saudável das plantas, sendo componente fundamental de fertilizantes. Muitas áreas cultivadas na Argentina apresentam níveis de fosfato abaixo do ideal, o que limita a produtividade agrícola[2]. Além disso, a medição rápida e acessível de fosfato é crucial para prevenir problemas de contaminação da água, como o crescimento desenfrenado de algas que afetam a qualidade de vida dos organismos aquáticos[4].
Em humanos, níveis elevados de fosfato podem indicar doenças raras, como o raquitismo hipofosfatêmico autossômico, um distúrbio genético caracterizado por baixos níveis de fósforo no sangue e perda renal de fosfato[4]. A nova técnica também pode ser aplicada na pesquisa básica para medir fosfato liberado por enzimas que hidrolizam biomoléculas contendo esse grupo funcional, como o ATP[3].
Com esta inovação, cientistas argentinos criaram um verdadeiro "laboratório de bolso" que democratiza a análise de fosfato, facilitando o cuidado ambiental e a saúde pública[7]. A reportagem completa foi publicada no TV Brics, parceiro do Metrópoles[1].
