Documento inédito da Organização Mundial da Saúde foca em prioridades de pesquisa e investimento para terapias infantis contra a doença.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) deu um passo crucial na batalha contra a dengue, divulgando seu primeiro guia internacional focado no desenvolvimento de tratamentos específicos para crianças. Este documento representa um marco significativo na saúde pública.

Lançado em 10 de junho, o guia estabelece prioridades urgentes de pesquisa e investimento. O objetivo é expandir a oferta de terapias adequadas para a população pediátrica, que é reconhecida como uma das mais vulneráveis às formas graves da doença.

A iniciativa faz parte do Processo de Otimização de Medicamentos Pediátricos (Pado), um mecanismo da OMS. Ele busca orientar pesquisadores, reguladores e financiadores, conforme informação divulgada por Metrópoles – Saúde.

O crescente foco em terapias pediátricas

O relatório da OMS foi cuidadosamente elaborado após discussões aprofundadas. Ele reuniu especialistas clínicos, pesquisadores e representantes de órgãos reguladores, além de fabricantes envolvidos no desenvolvimento de medicamentos contra a dengue.

Este esforço conjunto identificou as áreas mais críticas para os próximos anos. O guia também destaca produtos promissores que exigem acompanhamento e investimento contínuo, para impulsionar o tratamento da dengue em crianças.

Entre as tecnologias de ponta, um anticorpo monoclonal em desenvolvimento para crianças com dengue foi apontado como prioridade. Ele deve receber atenção e investimentos nos próximos três a cinco anos, acelerando novas opções de tratamento para a dengue em crianças.

A organização enfatiza que este guia servirá para direcionar recursos para as pesquisas mais promissoras. O objetivo é facilitar o acesso futuro a novas opções terapêuticas, especialmente no contexto do tratamento da dengue em crianças.

Crianças: um grupo de alto risco

A dengue, transmitida por mosquitos, é uma doença endêmica presente em mais de 100 países ao redor do mundo. Embora afete todas as idades, as crianças são as que correm o maior risco de desenvolver complicações graves.

Essa vulnerabilidade se deve principalmente ao sistema imunológico infantil, que ainda está em formação e não é totalmente maduro. Isso torna o tratamento da dengue em crianças ainda mais crítico.

Em um comunicado da OMS, Daniel Ngamije Madandi, diretor do Departamento de Malária e Doenças Tropicais Negligenciadas, ressaltou a urgência de melhorar o acesso a tratamentos específicos. O foco é ampliar as opções de tratamento da dengue em crianças.

Uma das propostas centrais do novo guia é assegurar que as necessidades pediátricas sejam consideradas. Este cuidado deve acontecer desde as fases iniciais do desenvolvimento de medicamentos contra a dengue, buscando garantir um tratamento da dengue em crianças mais eficaz e seguro.

Impacto global e no Brasil

Os dados de 2024 mostram um cenário alarmante, com mais de 14 milhões de casos de dengue e mais de 10 mil mortes registradas globalmente. Essa estatística reforça a necessidade urgente de avanços no tratamento da dengue em todas as idades, incluindo crianças.

No Brasil, o cenário não é diferente, com mais de 1,6 milhão de casos prováveis e 1.793 mortes contabilizadas em 2025, considerando pacientes de todas as faixas etárias. Os números sublinham a importância de abordagens inovadoras para o tratamento da dengue em crianças e adultos.

A OMS pretende acelerar o desenvolvimento de terapias seguras e apropriadas para crianças. Além disso, a organização busca incentivar a avaliação de tratamentos em estudo para adultos também para uso pediátrico, otimizando o tratamento da dengue em crianças.