A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou o início de um ensaio clínico na próxima semana na República Democrática do Congo (RDC), para testar dois tratamentos experimentais contra o vírus ebola da cepa Bundibugyo. O estudo será conduzido na província de Ituri, epicentro da epidemia, e poderá envolver entre 500 e 1.000 participantes, dependendo da eficácia observada dos tratamentos[1][2].
Os preparativos estão completos para avaliar se o anticorpo monoclonal MBP134 e o antiviral remdesivir podem reduzir a mortalidade em pacientes afetados, administrados isoladamente ou combinados[1]. O MBP134, desenvolvido pela MappBio, já demonstrou eficácia contra infecções por Bundibugyo em macacos e segurança em estudos clínicos iniciais[2]. O remdesivir, da Gilead Sciences, foi originalmente desenvolvido para o ebola e mostrou atividade antiviral contra múltiplos patógenos, incluindo SARS-CoV-2, embora sua eficácia para o ebola ainda não esteja estabelecida[4][5].
O ensaio clínico é organizado por um consórcio que inclui o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica da RDC, a ONG Alima, a Universidade de Oxford e a OMS[1]. A estrutura do estudo possui quatro grupos aleatórios: um receberá apenas o anticorpo monoclonal, outro apenas o antiviral, um terceiro receberá a combinação dos dois, e o quarto grupo receberá apenas cuidados de suporte, que é o padrão atual de tratamento[1].
Segundo os dados mais recentes da OMS, já foram registrados 1.094 casos de ebola na RDC, com 277 mortes, representando uma taxa de letalidade de 25%[2]. Muitos especialistas acreditam que a magnitude do surto está subestimada, pois a epidemia afeta regiões remotas e devastadas pela violência de grupos armados[2]. A cepa Bundibugyo é rara e, contra ela, ainda não existe vacina ou tratamento específico aprovado[1][2]. O remdesivir foi doado pela Gilead em 1.100 vials para o estudo, embora não esteja licenciado globalmente para tratamento de ebola[4].
