A Polícia Civil de São Paulo deflagrou a 'Operação Wi-Fi Livre SP' para investigar suspeitas de fraude e desvio de verba pública no contrato de R$ 108 milhões firmado com a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) para a instalação de pontos de Wi-Fi em comunidades periféricas da capital[2]. A entidade, presidida por Karina Ferreira da Gama, é ligada à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme 'Dark Horse', que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, e há indícios que parte dos recursos municipais possa ter sido usada para custear a produção cinematográfica[2][5].
Dentre as irregularidades apontadas pela investigação, destaca-se a contratação de uma empresa terceirizada, a Favela Conectada, que tem como sócio Alex Leandro Bispo, um suposto membro do Primeiro Comando da Capital (PCC) com três condenações por roubo e 13 anos de prisão em regime fechado[1]. Bispo, que representa a empresa, teria ingressado na facção criminosa durante o cumprimento de pena em presídios dominados pela organização, como a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau[1]. A Favela Conectada recebeu R$ 12 milhões do contrato total para realizar a manutenção dos pontos, embora o serviço tenha sido executado por apenas dois meses, enquanto a prefeitura pagou por 12 mensalidades[1].
A investigação aponta ainda superfaturamento grave: enquanto a empresa municipal Prodam cobrava R$ 306 por ponto, o contrato com o ICB estipulou R$ 1.800 fixos por ponto, um valor 230% superior ao mercado[1]. Além disso, a ONG instalou apenas 3.200 dos 5.000 pontos previstos e celebrou três termos aditivos em intervalos de poucos dias para ocultar a demora, recebendo pagamentos antecipados de R$ 26 milhões sem a contraprestação de serviços[1]. A Polícia Civil investiga se dados pessoais de usuários dos pontos de Wi-Fi foram cedidos indevidamente à empresa terceirizada para fins de marketing[6][8].
A Prefeitura de São Paulo, em nota, afirmou que os valores desviados foram integralmente devolvidos pela ONG em 2025 e negou que recursos municipais tenham sido direcionados ao filme, repudiando qualquer tentativa de criar relações entre a administração municipal e a produção cinematográfica[1]. Contudo, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) mantém um inquérito civil em andamento para apurar irregularidades no Termo de Colaboração, e a gestão de Ricardo Nunes ampliou o contrato para R$ 143 milhões em dezembro de 2025, poucos dias após as primeiras denúncias de fraude[1][5].
Fonte original: Metrópoles – São Paulo.
