A Polícia Federal (PF), em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), deflagrou na manhã de quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure, que aprofunda as investigações sobre um suposto esquema de fraudes contábeis nas Lojas Americanas, estimado em cerca de R$ 54 bilhões[1][4].
Dentre os alvos da operação, segundo a GloboNews, estão os acionistas de referência Carlos Alberto Sicupira (Beto Sicupira) e Paulo Alberto Lemann, além de executivos de grandes bancos privados nacionais, como Itaú Unibanco, Bradesco e Santander[1][3]. Agentes cumprem nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo[1].
A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro também ordenou o sequestro de até R$ 54 bilhões em bens e valores em nome dos investigados, montante que corresponde aos lucros obtidos com as fraudes, com o objetivo de preservar ativos para ressarcimento futuro[1][3].
As apurações da PF indicam que os suspeitos tinham conhecimento de irregularidades contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de Verba de Propaganda Cooperada (VPC), contabilizados sem lastro econômico[1][2]. As operações de risco sacado consistem em antecipação de pagamentos a fornecedores por meio de empréstimos bancários, sem a devida contabilização das dívidas, enquanto as VPCs fraudulentas eram registros de incentivos comerciais que, em parte dos casos, nunca existiram[1][2].
Segundo a corporação, há indícios dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa, além de uso de informação privilegiada (insider trading) e lavagem de dinheiro[1][2]. Entre os banqueiros investigados estão Gustavo Balassiano e José Rudge (Itaú), André Almeida e Alexandre Abdo (Santander), e Carlos Henrique Villela Pedras (Bradesco)[3].
A primeira fase da Operação Disclosure foi deflagrada em junho de 2024, quando a Justiça sequestrou mais de R$ 500 milhões em bens e valores[1]. O ex-CEO da Americanas, Miguel Gutierrez, foi preso na Espanha, mas a prisão foi posteriormente revogada[1]. A administração atual da Americanas informou que não foi alvo da operação e que segue à disposição das autoridades para colaborar com as investigações[3].
A operação representa mais uma etapa da investigação destinada a identificar a responsabilidade de cada um dos envolvidos no esquema que culminou na divulgação, em 2023, de inconsistências contábeis bilionárias e desencadeou um dos maiores processos de recuperação judicial da história do país[5].
