A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (25/6), a segunda fase da Operação Disclosure, voltada a investigar a fraude bilionária nas Lojas Americanas, estimada em mais de R$ 25 bilhões. Entre os novos alvos da ação estão cinco executivos de grandes bancos: dois do Itaú (um deles deixou a instituição em 2020), dois do Santander e um do Bradesco. O motivo específico da inclusão do grupo na operação ainda não foi divulgado oficialmente, mas a PF já havia apontado, em relatório enviado à Justiça em julho de 2024, uma relação entre instituições financeiras e a varejista.
Como funcionou o esquema de fraude
De acordo com as investigações, o esquema teria sido estruturado para ocultar a real situação econômico-financeira da Americanas por meio da manipulação de balanços contábeis. Uma das práticas centrais foi a operação de “risco sacado”, em que um banco assume a dívida de uma empresa com fornecedores. Os bancos deveriam informar essas operações ao Banco Central e registrá-las em cartas de circularização, documentos utilizados por auditorias externas.
No entanto, as investigações indicam que os dados sobre essas operações não estavam devidamente expostos no balanço da companhia. Ex-executivos da Americanas, supostamente, convenceram funcionários dos bancos a omitir essas operações das cartas de circularização, alterando documentos para encobrir as fraudes contábeis e garantir a continuidade do esquema.
“A audácia do grupo criminoso era tão grande que eles chegavam a cooptar funcionários dos bancos para que alterassem as cartas de circularização, de modo a encobrir as operações de ‘risco sacado’”, afirmou o documento da PF, destacando a ousadia dos responsáveis.
Quem são os executivos investigados
Os cinco alvos da operação não são ligados à operação do dia a dia das instituições financeiras. Entre eles estão:
- Gustavo Balassiano: foi executivo por 11 anos do Itaú BBA e, desde 2020, atua na XP Investimentos.
- José de Castro Araújo Rudge Filho: co-diretor de infraestrutura e energia do Itaú desde 2025.
- Carlos Henrique Villela Pedras: membro da diretoria do Bradesco, onde trabalha há 22 anos.
- André Juaçaba de Almeida: vice-presidente de corporate banking e diretor executivo do Bradesco.
- Alexandre Abdo: trabalha há 16 anos no Santander e é responsável por setores de indústria, aviação, logística e tecnologia.
Posicionamento dos bancos
Em nota ao Metrópoles, os bancos afirmaram que colaboram ativamente com as autoridades:
- Itaú: “O Itaú Unibanco, embora não seja investigado, esclarece que colabora ativamente com as autoridades desde 2023... O banco, que sofreu perdas bilionárias com o episódio, já comprovou a lisura de sua conduta”.
- Santander: “Informa que está ao lado das partes prejudicadas na apuração das fraudes envolvendo a Americanas e segue colaborando com as autoridades competentes”.
- Bradesco: “Acompanha o caso e está à disposição das autoridades”.
A PF também autorizou o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões, com base em delações premiadas, quebra de sigilo de dados e depoimentos colhidos nos últimos dois anos.
A reportagem tentou contato com todos os executivos, e o espaço permanece aberto para manifestações.
