A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou na manhã de 25 de junho de 2026 a Operação Lázaro, uma investigação focada na reativação fraudulenta do Banco de Crédito Móvel (BCM), instituição financeira extinta oficialmente em 1964, há mais de seis décadas. Segundo as apurações, o esquema visava reivindicar direitos sobre um crédito bilionário — estimado em mais de R$ 1 bilhão — relacionado a precatórios e terras desapropriadas na década de 1960, localizadas na região do Recreio dos Bandeirantes e Barra da Tijuca[1][3].
A fraude teria sido executada a partir de 2024, quando um grupo de falsos acionistas restabeleceu o registro do banco na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (JUCERJA), mesmo diante de decisões judiciais e pareceres técnicos contrários à reativação. O objetivo do grupo era contestar a titularidade dos precatórios, que atualmente estão em nome dos herdeiros dos antigos sócios do banco, Holophernes Castro e Pasquale Mauro[1][2].
A operação incluiu 12 mandados de busca e apreensão, com alvos que vão de acionistas do BCM a dirigentes da JUCERJA que viabilizaram a reativação do banco sob o nome BCM Ativos Imobiliários. Foram presos ou indiciados o atual vice-presidente do órgão, Affonso D'Anzicourt Silva, o secretário-geral Gabriel Oliveira de Souza Voi, e o ex-presidente Sergio Romay[1][5].
Silva afirmou que não teme a investigação e que se manifestará de forma mais detalhada posteriormente, dizendo: "Estamos há cinco anos e seis meses nessa administração e nada tememos". A empresa BCM Ativos Imobiliários, em nota oficial, rejeita integralmente as acusações, alegando que o cenário decorre de "severas disputas envolvendo interesses econômicos relevantes na região da Barra da Tijuca" e que os ataques visam "blindar os verdadeiros infratores"[1].
A reativação do banco foi revelada pela Folha de S.Paulo em março de 2025 e envolveu a mulher de um deputado estadual e negócios com a participação do ator Márcio Garcia. O grupo chegou a lançar, em 2022, o empreendimento Renew Life Residence, com 65 casas de alto padrão, antes de ter parte das construções demolidas pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) por falta de licença[1][3].
A disputa teve início em 2016, quando Heitor Castro, filho de Holophernes, se juntou a advogados e empresários para reativar o banco, alegando que ele ainda era alvo de processos envolvendo terrenos. Embora Heitor tenha morrido em 2018, seus sócios continuaram a ação, arquivando atas de assembleia na JUCERJA em 2018 e obtendo CNPJ na Receita Federal — decisão posteriormente cassada pela Justiça[1][3].
Em maio de 2025, duas decisões da Justiça Federal anularam as decisões do governo federal (sob gestão Lula) e da JUCERJA (sob gestão Cláudio Castro), que haviam validado a reativação do banco. A Justiça determinou nova cassação do registro na Receita, mas o grupo continuou a operar com CNPJ ativo até a deflagração da Operação Lázaro[1][3].
A operação evidencia uma complexa disputa de terras e precatórios na zona oeste carioca, onde a expansão imobiliária tem gerado conflitos, em alguns casos envolvendo milícias. O grupo buscou reativar os registros do banco para obter o controle dos terrenos que alega serem seus, mas a Justiça e a Polícia Civil apontam a fraude como tentativa de usurpar um crédito de mais de R$ 1 bilhão[1][3].
