Na manhã de quinta-feira (25/6), a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagraram a Operação Última Parada, desarticulando um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) operado pela empresa de ônibus Transunião, que em 2025 auferiu mais de R$ 180 milhões de subsídios do poder público[1]. As investigações revelaram que o grupo investigado mantinha "pontos de contato" com a máfia italiana Ndrangheta, utilizando o mesmo modus operandi de absorção e dissimulação de recursos ilícitos já observado em operações anteriores como Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi[1].

O vereador Senival Pereira de Moura (PT), em seu 6º mandato e atual presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica da Câmara Municipal de São Paulo, foi preso e identificado como o "líder oculto" e "instância superior de comando" do esquema[1]. Trocas de mensagens comprovaram que repasses financeiros e decisões empresariais dependiam da anuência do petista, tratado por codinomes como "presidente", "véio" e "vereador"[1]. Senival é acusado de instrumentalizar a Transunião para lavagem de dinheiro em favor de indivíduos ligados ao PCC[1].

Entre os demais alvos de mandados de prisão, estão Jair Ramos de Freitas ("Cachorrão"), apontado como autor do homicídio do ex-presidente da Transunião, Adauto Soares Jorge, em 2020, e Devanil de Souza Nascimento ("Sapo"), homem de confiança do vereador e envolvido na morte de Adauto[1][2]. Também foram decretadas prisões para Lourival de França Monário ("Orelha"), atual presidente formal da empresa, e Leonel Moreira Martins ("Cabeça Branca"), operador financeiro e elo direto com o PCC, ambos ainda foragidos[1][2].

A operação cumpre 103 mandados de busca e apreensão na capital paulista, Grande São Paulo e em Extrema (MG), além de 5 mandados de prisão temporária, três dos quais já cumpridos[1][4]. O Poder Judiciário decretou o bloqueio de R$ 194 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados e à empresa, além de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações[2][3]. A mudança societária da Transunião, que saltou de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões sem origem clara dos recursos, também foi apontada como ilícita[1].

As autoridades ressaltam que a operação é fruto de uma investigação iniciada em 2020, após o assassinato de Adauto Soares Jorge, quando provas indicaram o uso da concessionária no esquema do PCC[1]. A Transunião é a terceira empresa investigada por envolvimento direto com crime organizado na capital paulista[5]. Senival Moura, que ocupa o cargo de primeiro-secretário da Mesa Diretora, foi detido para prestar depoimento e responde por organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas[1][4].