Na manhã desta quinta-feira (25/6), a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagraram a Operação Última Parada, uma ação de grande impacto que desmantelou um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio da empresa de ônibus Transunião [1]. Cinco pessoas foram alvo de mandados de prisão temporária, sendo que três já haviam sido presas até o início da manhã, incluindo o vereador Senival Moura (PT), apontado como o controlador de fato da empresa [1].

As investigações revelaram a existência de um núcleo paralelo que tomava decisões operacionais sobre a Transunião e transferia valores para criminosos do PCC, utilizando a empresa de transporte público para movimentar recursos da facção [1]. A Justiça decretou o sequestro e bloqueio de R$ 194,4 milhões em contas bancárias dos investigados, além de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações [3].

Quem são os alvos da operação

Entre os presos, destacam-se: - Jair Ramos de Freitas ("Cachorrão"): apontado como diretor informal da empresa e articulador da lavagem de dinheiro, réu no assassinato do ex-presidente da Transunião, Adauto Soares Jorge [1]; - Senival Moura: vereador do PT identificado como o real beneficiário e líder oculto da Transunião, que usava CPF de parentes para ocultar patrimônio milionário [2]; - Devanil de Souza Nascimento ("Sapo"): homem de confiança do vereador, também envolvido na morte de Adauto [1]; - Leonel Moreira Martins: operador financeiro e elo entre a empresa e o núcleo familiar beneficiário [1]; - Lourival de França Monário: atual diretor-presidente formal da Transunião, envolvido em movimentações financeiras incompatíveis [1].

Afastamento da diretoria e suspensão de atividades

A ação determinou o afastamento da atual diretoria da Transunião, incluindo Lourival de França Monário (Diretor-Presidente), William Remorini Freitas (Diretor Financeiro), Kelly Cristina Santos Ribeiro (Diretora Comercial), Edgar Paiva da Rocha (Presidente do Conselho) e Leonardo Wendell do Nascimento (Conselheiro) [1]. Além da Transunião, o esquema envolveu outras empresas como Duvale Distribuidora de Petróleo, SPM – Transporte Urbano, Universo Bus, LMP Transportes, ICM Transportes e FRF Transportes, apontadas como núcleos de lavagem ou fachadas [1].

Impacto no transporte público

Em nota, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e da SPTrans, informou que a operação dos ônibus da Transunião segue funcionando normalmente, com a frota atendendo as linhas sob sua responsabilidade [1]. A Administração Municipal aguarda a notificação oficial da decisão judicial para avaliar seus termos e definir as providências necessárias [1].

Os investigados são acusados de organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas [1]. A Polícia Civil também pediu o afastamento do sigilo de dados telefônicos e telemáticos em dispositivos eletrônicos vinculados aos investigados [1].