A cela onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpriu pena no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, foi mantida reservada e preservada para um eventual retorno, caso o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não prorrogar a prisão domiciliar humanitária concedida por motivos de saúde. O benefício, de 90 dias, termina na quinta-feira, 25 de junho, e sua prorrogação está sob decisão do relator do caso [3][6].

Moraes deve analisar novos laudos médicos e o comportamento de Bolsonaro durante o período em casa, incluindo o episódio recente da apreensão de uma pistola registrada em nome do ex-presidente, transportada por um militar de sua equipe de segurança. O ministro já determinou que Bolsonaro prestasse esclarecimentos sobre o fato [3][8].

A unidade da Papudinha possui 64,83 m² de área total, sendo 54,76 m² cobertos e 10,07 m² de área externa privativa. O espaço é dividido em quarto, sala, banheiro, cozinha, lavanderia e área externa exclusiva, com equipamentos como cama de casal, geladeira, armários, televisão e cozinha equipada para preparo e armazenamento de alimentos [1][5]. O banheiro inclui chuveiro elétrico e os presos recebem cinco refeições diárias: café da manhã, almoço, lanche, jantar e ceia [1].

O local permite banho de sol com privacidade e horário livre, além de ter espaço para instalação de equipamentos de fisioterapia, como esteira e bicicleta ergométrica, conforme destacado por Moraes na decisão de transferência em janeiro [1][2]. Visitas podem ocorrer na área interna e externa, em horários previamente estabelecidos [1].

O batalhão dispõe de posto de saúde completo, com equipe formada por médicos clínicos, enfermeiros, dentistas, fisioterapeuta, psicólogos, assistente social, psiquiatra, farmacêutico e técnicos de enfermagem [1]. A Papudinha é destinada principalmente a policiais militares com vínculo corporativo, militares presos preventivamente e civis com direito à Sala de Estado-Maior, como advogados e autoridades [5].

No mesmo complexo, em unidades separadas, permanecem presos o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques, ambos condenados pelo STF na trama golpista [5].

Bolsonaro foi transferido para a Papudinha em janeiro, após deixar a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, atendendo a pedidos da defesa sobre condições de custódia e para permitir sessões de fisioterapia noturna e melhor tratamento médico [1][2]. Em março, Moraes autorizou a prisão domiciliar humanitária por 90 dias, após internação do ex-presidente por broncopneumonia, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República [1][3].

A decisão de Moraes sobre a prorrogação será fundamental para definir se Bolsonaro retorna à Papudinha ou permanece em prisão domiciliar, considerando tanto a saúde quanto o comportamento do ex-presidente durante o período em casa [3][7].

Vinícius Nunes, repórter de CartaCapital baseado em Brasília, cobre os Três Poderes e já trabalhou em Jovem Pan, Poder360, UOL, Blog do Noblat, JOTA e SBT News.