A demência em cães, conhecida como disfunção cognitiva canina (DC) ou síndrome da disfunção cognitiva (SDC), é uma condição neurocomportamental que afeta pet idosos de forma semelhante ao Alzheimer em humanos. O desafio principal para diagnosticá-la está na dificuldade de separar seus sintomas do envelhecimento natural do animal. No entanto, um novo estudo publicado na revista Frontiers in Veterinary Science traz uma pista promissora: mudanças no comprimento da passada das patas dianteiras podem ser um sinal passível de investigação para a condição.

A pesquisa, liderada por pesquisadores da Universidade Estadual da Carolina do Norte (EUA), foi conduzida com 88 cães idosos de raças puras e mistas, que atingiram ao menos 75% da expectativa de vida de suas raças. Os participantes realizaram testes físicos, neurológicos, fisiológicos e ortopédicos, além de avaliações de caminhada em um trajeto de cinco metros, sem incentivos verbais ou por petiscos. De acordo com os resultados, cães com passada mais curta nas patas dianteiras apresentaram desempenho inferior em testes cognitivos[1][2].

Natasha Olby, neurologista veterinária e autora do estudo, explica que as patas dianteiras são essenciais para os cães ao iniciarem a frenagem e alterarem a direção. Para realizar essas ações com precisão, o animal precisa de uma capacidade cerebral adequada para compreender informações sensoriais, planejar movimentos e coordenar o corpo. Contudo, os pesquisadores alertam que alterações no tamanho da passada não confirmam, por si só, a demência, pois podem ser provocadas por problemas ortopédicos ou dores crônicas[1][7].

Assim, a medição do comprimento da passada pode servir como uma metodologia mais simples e objetiva para investigar a condição em cães mais velhos, facilitando a detecção precoce. Após esses achados, os cientistas pretendem ampliar o estudo para testar a medição em cães de outras faixas etárias e com condições de saúde variadas, visando confirmar sua utilidade real na detecção de demência em pets[1][2].

A demência canina é uma doença progressiva e incurável, mas a intervenção precoce pode ajudar a retardar seu curso. Sinais clássicos incluem desorientação, deambulação sem rumo, falta de reconhecimento de pessoas conhecidas e alterações no comportamento alimentar[3][4]. O tratamento envolve medicamentos como selegilina e propentofilina, além de terapêutica nutricional rica em antioxidantes e adaptações etológicas na rotina do animal[3][5].