Sete pessoas foram presas na manhã desta terça-feira (23/6) durante a Operação Parasita, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf), para investigar um esquema de descontos associativos realizados sem autorização em contas de aposentados e pensionistas do Governo do Distrito Federal (GDF) mantidas no Banco de Brasília (BRB)[1][2].

Os detidos estão ligados às associações que firmaram contratos para autorizar débitos automáticos nos benefícios das vítimas sem comprovação adequada da autorização dos beneficiários. Em diversos casos analisados, as vítimas afirmaram não ter autorizado os descontos realizados em seus benefícios[1][4]. A polícia afirma que os golpistas ligavam para os aposentados e apresentavam transcrições falsas das ligações para que os descontos fossem autorizados[2].

Também foram conduzidos à Delegacia de Polícia Especializada (DPE) três servidores do BRB suspeitos de envolvimento na fraude para prestação de esclarecimentos. Eles prestaram depoimento após o cumprimento de mandados de busca e apreensão em suas residências[1][3]. A justiça determinou o afastamento deles das funções financeiras do banco[3].

A operação cumpre quatro mandados de prisão temporária, três de prisão preventiva e 10 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em Minas Gerais[1][2]. No DF, as medidas judiciais são cumpridas em regiões administrativas como Plano Piloto, Asa Sul, Asa Norte, Recanto das Emas, Brazlândia e Jardim Botânico[1][2]. Em Minas Gerais, as buscas acontecem em Belo Horizonte e Igaratinga[1][2]. Entre os alvos estão sedes de associações apontadas como integrantes do esquema[1][2].

As associações investigadas são: CASSISP, SBSP, ASPJUB, CASSISPUB, MÃO AMIGA e COBJUD[2]. Segundo investigações da PCDF, mais de 3,5 mil contas podem ter sido afetadas, totalizando um prejuízo de mais de R$ 5 milhões[1]. O esquema de fraudes que desviava recursos de aposentados e pensionistas vinculados ao Governo do Distrito Federal operava de forma contínua desde 2024[1].

De acordo com o delegado Henry Galdino, as associações ligavam para as vítimas oferecendo um serviço, elas não aceitavam, mas os golpistas firmavam um acordo sem o consentimento dos aposentados e pensionistas[1]. Segundo ele, os contratos de débitos automáticos (CDA) eram, em média, no valor de R$ 40[1]. Os investigados poderão responder por associação criminosa, estelionato qualificado e fraude bancária[1].

A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos e recuperar os valores desviados das vítimas[1]. Em nota, o Banco de Brasília afirmou que a investigação teve início depois que o próprio banco identificou irregularidades em movimentações financeiras e que os fatos não dizem respeito à atual administração do BRB[2][3].

Cabe destacar que três servidores do banco estão em processo administrativo e foram afastados de seus cargos por suposto envolvimento nesse esquema[5]. Três alvos da operação de hoje já tinham sido presos na operação sem desconto da Polícia Federal, que apura as fraudes bilionárias em benefícios do INSS[3].