Um time de pesquisadores da Universidade de Umeå, na Suécia, descobriu que a proteína METTL3 é responsável por facilitar a disseminação das células do câncer de mama para outros órgãos, impulsionando o processo de metástase. A substância atua regulando a liberação de moléculas e organizando modificações feitas no RNA da célula, o que ajuda a controlar quais genes permanecem ativos e quais devem ficar latentes.

A atividade anormal da METTL3 já foi associada a diversos tipos de câncer. No estudo, quando a proteína foi retirada, os tumores perderam parte de sua capacidade de degradar tecidos saudáveis. Contudo, os cientistas observaram que bloquear apenas a atividade enzimática da proteína não foi suficiente para impedir totalmente o câncer, indicando que a METTL3 utiliza outros caminhos além da modificação do RNA para promover a doença.

"Nossos resultados indicam que, em alguns tipos de câncer, bloquear a atividade enzimática da METTL3 pode não ser suficiente. Inibir completamente seus efeitos promotores de tumores pode exigir estratégias que eliminem a proteína por inteiro ou interrompam suas interações dentro da célula", explicou a principal autora do estudo, a professora Francesca Aguilo, em comunicado à imprensa.

O achado abre novas perspectivas para o desenvolvimento de medicamentos que evitem a metástase. Os próximos passos da pesquisa envolvem investigar como a METTL3 é realocada do núcleo da célula e se o mecanismo ocorre de forma semelhante em outros tipos de câncer. Alguns remédios projetados para ajustar a atividade da proteína já estão sendo testados. O estudo foi publicado na revista científica Science Advances na última sexta-feira (26/6).

Fonte original: Metrópoles – Saúde.