As maiores petroleiras estatais da América Latina, a **Petrobras** (Brasil) e a **Pemex** (México), assinaram nesta terça-feira, 23 de junho, um **memorando de entendimento (MoU)** para cooperação estratégica e técnica na exploração e produção de petróleo no **Golfo do México**, com foco especial na porção mexicana da região, ainda pouco explorada em águas profundas e ultraprofundas[1][2]. O acordo, que tem validade de dois anos e é renovável, não é vinculante, não cria obrigação de investimento imediato, nem estabelece sociedade, consórcio ou joint venture entre as empresas[2][3]. A parceria, apresentada durante evento no Rio de Janeiro com a presença da presidente da Petrobras, **Magda Chambriard**, e do diretor-geral da Pemex, **Juan Carlos Carpio Fragoso**, visa **revitalizar campos maduros mexicanos**, aumentar a eficiência em refino e petroquímica, e desenvolver projetos em águas profundas e ultraprofundas na região do Golfo, incluindo a possível avaliação de reservas de **pré-sal** na porção mexicana[1][4]. O memorando também contempla intercâmbio de tecnologias, cooperação em fertilizantes, processamento de gás natural, segurança operacional e produção de combustíveis com menor impacto ambiental[2][3]. Para a **Pemex**, que enfrenta uma dívida de cerca de **US$ 80 bilhões**, queda na produção e ineficiências operacionais, o acordo representa uma oportunidade de acessar a **expertise da Petrobras em extração de petróleo em águas ultraprofundas**, com tecnologias desenvolvidas no pré-sal brasileiro, localizadas a mais de 5 mil metros abaixo do nível do mar[1][5]. A empresa mexicana busca joint ventures para elevar a produção de seus campos maduros, como Cantarell e Ku-Maloob-Zaap, que têm declínio nos últimos anos, e explorar novos ativos como o campo de Zama, ainda não operacional[1][6]. A **Petrobras**, por sua vez, busca **novas descobertas internacionais** para prolongar o ciclo de crescimento da produção brasileira, impulsionado pela descoberta do pré-sal em 2006, e expandir seu portfólio de exploração fora do Brasil[1][5]. Magda Chambriard afirmou que a cooperação pode se estender a outras regiões, como **África e Brasil**, conforme oportunidades identificadas por estudos técnicos conjuntos, e que ainda não há definição sobre o volume de investimentos, que dependerá de análises de viabilidade e aprovações internas[2][4]. A ideia da parceria surgiu no início de 2026, após o presidente **Luiz Inácio Lula da Silva** sugerir a exploração conjunta dos recursos de águas profundas do México, ainda pouco aproveitados, e discutir cooperação energética com a presidente mexicana **Claudia Sheinbaum** em uma videoconferência recente[1][6]. A Pemex, que encerrou leilões competitivos de petróleo sob o governo anterior, busca agora novas joint ventures para ampliar a produção de gás e explorar ativos offshore, enquanto a Petrobras já enfrentou dificuldades em expansões anteriores na América Latina, como na Bolívia e na Venezuela[1][5]. Analistas, como **John Padilla**, da consultoria Paramos Energy, destacam que os **detalhes do acordo são cruciais**, especialmente sobre qual parte financiarará a exploração, que pode exigir investimentos de dezenas a centenas de milhões de dólares[1][5]. A expectativa é que a parceria seja "ganha-ganha" para os dois países, fortalecendo a **segurança energética** e permitindo que as estatais, que ficaram para trás na construção de portfólios robustos de exploração, aproveitem a nova perspectiva e tecnologias para o lado mexicano do Golfo[1][2]. A colaboração também pode incluir cooperação em **petroquímica e fertilizantes**, caso haja disponibilidade de gás e interesse mútuo, reforçando a presença da Braskem no México, e aumentar a eficiência das refinarias de ambos os países, com foco em coprocessamento para combustíveis renováveis[1][7]. O acordo, portanto, abre caminho para uma nova etapa de aproximação entre as duas maiores economias da América Latina, com potencial para projetos em outras regiões e para a exploração de recursos ainda não comercializados no lado mexicano do Golfo do México[2][4].