O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quinta-feira (25) os contratos para a conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. A obra, paralisada desde 2015, integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e receberá investimentos de mais de R$ 5 bilhões para ser finalizada[1].
A retomada foi confirmada pela Petrobras após nova reavaliação técnica e econômica que atestou a viabilidade do projeto. Durante a cerimônia, Lula afirmou: "Agora vai. Era pra ter começado bem antes", destacando que o país vai construir sua soberania e se tornar independente da importação de fertilizantes[1].
O empreendimento é considerado estratégico pelo Palácio do Planalto para ampliar a produção nacional, fortalecer a segurança alimentar e reduzir a dependência externa. Atualmente, o Brasil importa cerca de 90% dos fertilizantes que consome, o que representa uma das maiores vulnerabilidades do agronegócio[1][2].
Quando entrar em operação comercial, prevista para 2029, a unidade terá capacidade para produzir 3,6 mil toneladas diárias de ureia granulada e 2,2 mil toneladas diárias de amônia, totalizando cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano. Esse volume equivale a aproximadamente 16% da demanda nacional pelo insumo[1].
A localização da fábrica no Centro-Oeste é vista como um diferencial competitivo, pois a região responde por cerca de 40% da demanda brasileira de ureia, impulsionada por culturas de milho, cana-de-açúcar, algodão e pastagens. A proximidade com polos produtores agrícolas deve ampliar a confiabilidade do abastecimento e reduzir custos logísticos para produtores rurais em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo[1].
A carteira de fertilizantes da Petrobras no Novo PAC reúne quatro unidades: Fafen-BA, Fafen-SE, ANSA e UFN-III. Com a entrada em operação dessas plantas, a estatal projeta atender cerca de 35% do mercado nacional de ureia até 2029. Antes da retomada das fábricas, 100% da ureia consumida no país era importada[1][2].
William França, diretor de Processos Industriais da Petrobras, afirmou que o movimento fortalece a integração com o agronegócio e contribui diretamente para reduzir a dependência do país em relação à importação de fertilizantes[1]. A ureia é hoje o fertilizante nitrogenado mais consumido no Brasil, com demanda anual próxima de 8 milhões de toneladas, enquanto a amônia é matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes e para a indústria petroquímica[1].
