A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (23/6), a Operação Miragem, que investiga supostas fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional no âmbito do Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD)[1][2]. A Justiça Federal autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do bispo e de outros 17 alvos da operação, além de bloquear e sequestrar bens e valores que podem chegar a R$ 670,3 milhões, montante correspondente ao ganho patrimonial supostamente oriundo da fraude[1][4].
Edir Macedo, que reside no exterior, não foi alvo de mandados de busca e apreensão neste momento, mas foi incluído no pedido de bloqueio de bens e na quebra de sigilos[2][4]. Mais de 50 policiais federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão em São Paulo, apreendendo documentos na sede do banco[1][2].
De acordo com a PF, apoiada em relatórios do Banco Central, o esquema envolvia a manipulação sistemática de balanços e demonstrações contábeis para ocultar a real situação econômico-financeira do banco e aparentar solvência perante os órgãos de controle[1][4]. As autoridades suspeitam que a instituição utilizou fundos de investimento para disfarçar um rombo estimado em R$ 8,5 bilhões, possivelmente relacionado a carteiras de crédito fraudulentas[5][7].
Os investigados poderão responder pelos crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em documentos contábeis e realização de operações de crédito vedadas, conforme previsto na Lei nº 7.492/1986, que trata dos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional[3][5]. O Banco Digimais informou que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso[7].
Alvos de mandados de busca e apreensão incluem nomes como Marcelo de Lima Brasil, João Alves de Campos, Thiago Rodrigues Urbaneja, José Roberto Giancoli Filho e a ID Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.[2]. Entre os alvos de quebra de sigilo fiscal estão B.A. Empreendimentos e Participações S/A, Bless Capital Gestora de Recursos, Digimais Securitizadora de Créditos Financeiros S.A. e o próprio Edir Macedo Bezerra[2].
