Polícia Federal apura inconsistências financeiras em transação de Sóstenes Cavalcante

A Polícia Federal (PF) intensificou as investigações sobre o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), apontando sérias inconsistências financeiras na transação imobiliária utilizada pelo parlamentar para justificar a origem de R$ 468 mil em dinheiro vivo, apreendidos em sua residência em dezembro do ano passado. A corporação afirma haver “ausência de lastro bancário” para a suposta compra e venda de uma casa.

Nesta quarta-feira (1º), uma nova fase da operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), realizou buscas e apreensões em endereços ligados a Sóstenes Cavalcante e a pessoas e empresas associadas a ele. Entre os alvos, está o advogado Thiago Ferreira de Paula, suposto comprador do imóvel que geraria o dinheiro apreendido.

Os mandados foram cumpridos no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais, visando aprofundar as apurações sobre movimentações e destinações de recursos supostamente desviados de cotas parlamentares, conforme informação divulgada por POLÍTICA.

Inconsistências Financeiras e o Papel do Coaf nas Investigações

Com base em análises de quebras de sigilo e relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a Polícia Federal destacou a falta de comprovação da origem dos recursos envolvidos na transação. A PF ressalta “movimentações incompatíveis com a renda ostensiva do suposto comprador”, Thiago Ferreira de Paula.

O Coaf apontou um quadro financeiro atípico para Thiago de Paula, indicando que o total movimentado a crédito representa cerca de 17,76 vezes o valor da renda cadastrada, superando em aproximadamente R$ 608.754,30 a capacidade declarada do titular. O conselho também afirma que não foram apresentados documentos capazes de justificar as expressivas transações em conta corrente.

A Cronologia da Transação Imobiliária e Suspeitas de Fraude

A transação imobiliária usada por Sóstenes Cavalcante como justificativa para o dinheiro apreendido foi alvo de especial atenção da PF. A escritura de venda da casa em Ituiutaba (MG) para Thiago Ferreira de Paula só foi oficializada em cartório em 30 de dezembro, 11 dias após a apreensão dos R$ 468 mil, ocorrida em 19 de dezembro do ano passado.

A polícia federal observou que a escritura faz “referência a um suposto ajuste pretérito, segundo o qual o pagamento em espécie teria ocorrido em 24/11/2025”. A PF interpreta essa cronologia como uma “narrativa documental destinada a conferir lastro formal a uma alegada transação pretérita”, especialmente porque o Coaf não identificou saque de valores contemporâneos à data da compra por parte de Thiago de Paula.

Desdobramentos da Operação Rent a Car e Novas Apreensões

Esta operação é a terceira fase da Operação Rent a Car, iniciada no final do ano passado para investigar suspeitas de desvios de recursos públicos de cotas parlamentares. A fase inicial apurou que uma empresa de locação de carros, contratada por deputados e paga via cota parlamentar, continuou recebendo dinheiro mesmo após sua dissolução irregular.

Durante as buscas desta quarta-feira, a PF apreendeu aproximadamente R$ 160 mil e US$ 502 em espécie, além de celulares, notebooks e relógios de luxo. Em dois alvos no Distrito Federal, dinheiro foi encontrado escondido dentro de livros falsos. A polícia também identificou uma rede de empresas com movimentações financeiras complexas, recebimento de verbas públicas e saques expressivos em espécie.

Crimes Investigados e Reação dos Parlamentares

As investigações buscam aprofundar as apurações sobre a movimentação e destinação dos recursos relacionados ao desvio de cota parlamentar. São apuradas suspeitas de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa. A cota parlamentar destina-se a custear despesas do exercício do mandato, como aluguel de escritório e passagens.

Sóstenes Cavalcante, procurado pela assessoria de imprensa, não se manifestou sobre a operação. Anteriormente, o deputado já havia afirmado à imprensa sofrer perseguição política. Na fase anterior da Operação Rent a Car, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) também foi alvo de buscas, reagindo com um vídeo nas redes sociais classificando a ação como “covarde”.

Perguntas Frequentes

O que é a Operação Rent a Car?

A Operação Rent a Car é uma investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de desvio de recursos públicos de cotas parlamentares. A PF suspeita que uma empresa de locação de veículos continuou recebendo pagamentos mesmo após sua dissolução irregular.

Quem é Sóstenes Cavalcante e qual sua ligação com a investigação?

Sóstenes Cavalcante é um deputado federal pelo PL-RJ e líder do PL na Câmara dos Deputados. Ele está sendo investigado após a apreensão de R$ 468 mil em sua residência, com a PF questionando a origem dos recursos de uma transação imobiliária que o deputado usou para justificar o dinheiro.

Qual a importância do Coaf nas investigações da Polícia Federal?

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) é crucial nas investigações, pois fornece relatórios que apontam movimentações financeiras atípicas e incompatíveis com a renda declarada dos investigados. No caso de Sóstenes Cavalcante, relatórios do Coaf indicaram a ausência de lastro bancário para a transação imobiliária.

Quais crimes estão sendo apurados na nova fase da operação?

Nesta fase da Operação Rent a Car, a Polícia Federal está apurando suspeitas de crimes como peculato (desvio de dinheiro público), lavagem de dinheiro, fraude processual (alteração de provas ou documentos) e organização criminosa, buscando esclarecer a movimentação e destinação de recursos.