A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou, nesta quinta-feira (25), a proposta de delação premiada apresentada por Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), um dos investigados no caso do Banco Master. A decisão foi fundamentada na ausência de elementos novos em relação aos fatos já descobertos pela Polícia Federal (PF) e na falta de proposta clara sobre como seriam ressarcidos os cofres públicos [2].

Costa foi preso preventivamente em 16 de abril, durante a quarta fase da Operação Compliance, que investiga fraudes no Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo BRB, banco público ligado ao governo do Distrito Federal [1]. Segundo as investigações, ele combinou com o banqueiro Daniel Vorcaro o recebimento de R$ 146,5 milhões em propina, pagos por meio de imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília [1][3].

A PF identificou quatro apartamentos em São Paulo e duas em Brasília repassados a Costa por Vorcaro, incluindo um no Heritage, no Itaim Bibi, cujas unidades podem chegar a mil metros quadrados e custar até R$ 42 milhões [1]. Em mensagens, Costa levou familiares para conhecer os imóveis e escolher onde moraria após a concretização dos negócios entre os bancos [3].

Costa nega as acusações. Sua defesa inicialmente alegou que ele não recebeu os apartamentos e, portanto, não houve propina. Após a prisão, porém, passou a circular que os imóveis seriam comprados pelo Master e ficariam à sua disposição após a aquisição pelo BRB [1]. O ex-presidente já trocou de advogados duas vezes e tenta negociar um acordo de delação, mas a PGR entende que nem ele nem Vorcaro avançaram o necessário para firmar o acordo [2].

No Supremo Tribunal Federal (STF), o relator do caso Master, André Mendonça, afirmou que Costa foi "peça essencial" na compra de títulos podres do Master, que se revelaram fraudulentos e inexistentes [1][3]. A expectativa é que a delação, se aceita, detalhe como o BRB comprou cerca de R$ 12 bilhões em produtos do Master que nenhum outro banco aceitava [3].