Nesta terça-feira (30), o governo federal lançou o Plano Safra 2026/2027, principal programa de crédito rural do Brasil, com R$ 525,1 bilhões destinados exclusivamente à agricultura empresarial[3][4]. O valor supera em R$ 9 bilhões (1,7%) o montante da safra anterior (2025/2026) e representa um recorde histórico de financiamento ao setor agropecuário[3][5].
Do total, R$ 384,9 bilhões serão usados para custeio e comercialização (insumos, manutenção de lavouras e rebanhos), enquanto R$ 140,2 bilhões apoiarão investimentos em modernização, armazenagem, irrigação e inovação tecnológica[1][3]. Somados aos cerca de R$ 85 bilhões para agricultura familiar, o financiamento total ao setor agrícola ultrapassa R$ 610 bilhões[3][4].
Redução de juros é um dos principais avanços: no Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural), a taxa máxima de juros caiu de 10% para 9% ao ano, com volume previsto de R$ 72,6 bilhões[3]. As taxas gerais do plano ficam entre 8% e 12,5%, a menor já registrada para custeio empresarial, que passou de 14% para 12,5%[3].
O plano também incentiva a sustentabilidade: produtores com Cadastro Ambiental Rural (CAR) regular e que adotem práticas agropecuárias sustentáveis recebem desconto de até 0,5 ponto percentual na taxa de juros de custeio[1][3]. Além disso, financiamentos subsidiados não poderão ser usados por empreendimentos que prevejam supressão de vegetação nativa, e os contratos devem informar a origem dos recursos para maior transparência[4].
Durante a cerimônia de lançamento no Palácio do Planalto, o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo atingiu o objetivo de ampliar recursos e reduzir juros: "O crescimento do Plano Safra é um valor recorde. Mais de meio trilhão de reais. E com juros mais baixos"[3]. Ele destacou que o agro resistiu ao "tarifaço" de Donald Trump, gerando superávit de R$ 149,2 bilhões na balança comercial e fortalecendo a estabilidade econômica[3].
O ministro da Agricultura, André de Paula, classificou o Plano Safra como "uma das políticas públicas mais longevas da nossa história", desde 2003, e defende que seja uma política de longo prazo para maior previsibilidade[3]. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou que o agro representa mais de 25% do PIB nacional e metade das exportações brasileiras, exigindo estabilidade em planos subsequentes[3].
Representantes do setor, como Guilherme Nolasco (Inpasa), celebraram o plano como "confiança em quem planta, investe e trabalha", destacando seu impacto na indústria, pesquisa e logística nacionais[3].
