Você treina com frequência, mas não vê os resultados esperados? A médica e educadora física Clarissa Rios explica que o motivo principal é a alta capacidade de adaptação do corpo humano. Quando o indivíduo pratica exercícios regularmente, o organismo entende que precisa ser mais forte, mais resistente e mais eficiente, aumentando a força, melhorando o condicionamento cardiorrespiratório, desenvolvendo massa muscular e otimizando processos metabólicos[1].
Essa adaptação ocorre de forma ainda mais eficiente quando o treino é acompanhado por uma alimentação adequada, que fornece energia e nutrientes de qualidade. No entanto, o corpo também se adapta à interrupção da rotina: se a atividade física diminui ou desaparece, o organismo interpreta que não precisa manter estruturas que consumam muita energia, como a massa muscular, e reduz sua produção[2].
Rios destaca que o organismo não está "contra você"; ele está agindo conforme sua programação evolutiva de se adaptar ao ambiente e economizar energia em períodos de possível escassez. Por isso, os resultados duradouros não são fruto de um treino perfeito ou de uma dieta temporária, mas da constância de hábitos saudáveis repetidos com frequência[1].
Para quem busca resultados, é fundamental evitar a imediatoismo e a autossabotagem. A educadora física sugere traçar metas curtas e atingíveis, avaliar a performance com profissionais qualificados e não acreditar em fórmulas mágicas, pois o melhor exercício e a melhor alimentação são os planejados para o seu objetivo específico[1]. Além disso, treinos muito longos podem ser desgastantes e menos eficientes; a duração ideal gira entre 45 a 70 minutos, dependendo do objetivo[1].
Exercitar-se ao menos duas vezes por semana é um dos segredos para prolongar a expectativa de vida e envelhecer melhor. Estudos da Universidade de Tohoku, no Japão, indicam que entre 30 e 60 minutos de exercícios de fortalecimento muscular por semana são suficientes para reduzir o risco de morte prematura entre 10% e 17% em comparação a sedentários[3]. Atividades como musculação, esportes, Tai chi e ioga são indicadas para fortalecer ossos e músculos, além de ajudar na menopausa, pós-operatório e prevenção de fraturas[3].
É importante lembrar que a massa muscular e óssea atingem o pico antes dos 30 anos. A partir dessa idade, começa um decaimento natural. Pessoas que se exercitam na juventude aumentam a força ao longo da vida, enquanto quem começa após os 30 anos reduz a queda natural, preserva a força e vive muito melhor[3]. Mesmo treinos leves ("treino fofo") podem melhorar saúde, condicionamento e bem-estar sem exigir intensidade extrema, sendo especialmente úteis para iniciantes e idosos[3].
Em resumo, a constância é insubstituível. A CEO da rede DoctorFit conclui que a rotina deve favorecer o movimento, uma alimentação equilibrada e um estilo de vida saudável na maior parte do tempo, pois os resultados são consequência da capacidade do corpo de se adaptar aos hábitos que repetimos com maior frequência[1].
Fonte original: Metrópoles – Vida e Estilo.
