A preocupação com privacidade e governança de dados representa o principal obstáculo para a expansão da Inteligência Artificial (IA) na segurança dos bancos brasileiros. Segundo a 34ª edição da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, realizada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em parceria com a consultoria Deloitte, 68% das instituições consultadas citam o dado como o ponto mais crítico para o avanço da tecnologia na área de segurança.
Mesmo diante desse desafio, a cibersegurança mantém-se como prioridade máxima entre os bancos do País. Todas as 25 instituições ouvidas pela pesquisa colocam o tema no topo da lista de investimentos em tecnologia, posicionando-o acima de outras áreas estratégicas, como computação em nuvem e IA generativa.
Na prática, a maioria dos bancos já reconhece a IA como aliada contra ataques digitais. Cerca de 77% das instituições utilizam a tecnologia para realizar análise preditiva de riscos cibernéticos, com o objetivo de identificar ameaças antes que causem danos. O mesmo percentual recorre à IA para detectar padrões suspeitos de comportamento, sinalizando atividades fora do normal em contas ou transações financeiras.
Outras aplicações da tecnologia, no entanto, avançam a passos mais lentos. Quase metade dos bancos (46%) já utiliza IA em testes de intrusão, simulando ataques para encontrar falhas no sistema antes que criminosos o façam. A automação de respostas a incidentes, onde o sistema reage automaticamente a ameaças detectadas, aparece em apenas 31% das instituições.
Entre os obstáculos secundários, a escassez de profissionais com conhecimento técnico em IA aplicada à segurança é citada por 40% dos bancos. A dificuldade de integrar a nova tecnologia aos sistemas legados antigos das instituições fecha a lista de barreiras principais, apontada por 32% dos participantes.
Entre as estratégias de defesa que não dependem diretamente da tecnologia, a educação dos funcionários emerge como prioridade quase unânime. Cerca de 95% dos bancos buscam conscientizar seus colaboradores sobre os riscos digitais, reforçando que a formação de pessoas continua tão relevante quanto qualquer ferramenta tecnológica para proteger o dinheiro dos clientes.
Fonte: Finsiders – IA.
