O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) abriu um procedimento para investigar denúncias de intolerância religiosa feitas pelo professor de inglês Ossama Abdulláh da Silva Souza de Medeiros, 29 anos, contra um colégio particular de Belo Horizonte (MG)[1]. Muçulmano e descendente de palestinos, o docente afirma ter sido demitido por motivos religiosos, após coordenadores pedagógicos justificarem seu desligamento dizendo que “o país de onde você veio, sua raça ou origem não condizem com os princípios da escola”[2].
No dia 13 de abril, durante uma reunião, Ossama recebeu a justificativa discriminatória; no dia seguinte, 14 de abril, um telegrama oficializou sua demissão do Colégio Pégaso, unidade Kennedy, na região de Venda Nova[3]. Segundo o professor, os episódios de discriminação começaram em 12 de fevereiro, quando foi orientado a não usar roupas pretas para evitar que sua aparência fosse associada à religião islâmica[4].
Ossama explica que a vestimenta faz parte de uma tradição cultural árabe, como a abaya ou o niqab, e que o preto, em muitos países do Golfo, é um símbolo de sobriedade e respeito[5]. Ele afirma que passou a ser chamado de “terrorista” e comparado a “Osama Bin Laden”, e que um estudante chegou a cumprimentá-lo com a expressão árabe “Aleikum salame” em tom de deboche, na frente de coordenadores, sem que ninguém da escola repreendesse a atitude[6].
Diante dos episódios, o professor decidiu recorrer à Justiça e tornar o caso público para chamar a atenção à necessidade de combater a intolerância religiosa e promover uma cultura de respeito às diferenças[7]. A reportagem procurou o Colégio Pégaso para comentar as denúncias, mas não recebeu resposta até a publicação deste texto; o espaço segue aberto para manifestação da instituição[8].
Fonte original: Metrópoles – Distrito Federal.
