Uma professora da rede municipal de São José dos Campos, no interior de São Paulo, sofreu um colapso nervoso após um episódio de assédio em sala de aula nesta terça-feira (30/06), quando três alunos do 8º ano colocaram uma lâmina de vidro dentro de seu copo com água, que ela poderia ter bebido[1][2].
Michele Ramos, docente da EMEFI Prof.ª Ildete Mendonça Barbosa, localizada no bairro Parque Residencial União, na zona sul da cidade, relatou em vídeo emocionante nas redes sociais que um dos estudantes realizou a ação enquanto outros colegas acompanharam e não a alertaram[4][5]. "É uma dor muito grande. A sala viu o que estava acontecendo e ficaram de murmurinho ao invés de me falar o que tinha acontecido, o que ele tinha colocado. E ainda ficaram ‘se eu fosse você, não beberia essa água, professora'”, desabafou a docente[2].
O episódio deixou Michele profundamente abalada, questionando a educação recebida pelas crianças em casa e a falta de suporte psicossocial oferecido aos professores na rede municipal[1]. "Que tipo de educação essas crianças estão recebendo em casa? Eu nem sei a quem recorrer, estou tendo que vir aqui no hospital por uma questão burocrática, porque eu só queria ir para minha casa e deitar em posição fetal. Não quero voltar a trabalhar hoje”, afirmou[2].
A professora buscou atendimento médico no Hospital de Clínicas Sul, onde recebeu assistência psicológica, e pretende registrar uma CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) para formalizar o incidente[1][2]. Apesar do abalo emocional, ela afirma que deverá retornar às atividades já nesta quarta-feira (01/07)[1].
Em nota, a Prefeitura de São José dos Campos lamentou "profundamente" o fato registrado na escola e informou que a equipe gestora prestou pronto atendimento à professora, que foi encaminhada para atendimento médico[1]. As famílias dos três alunos envolvidos foram convocadas pela direção da escola e os estudantes foram suspensos até o fim do semestre[1][2]. O caso também foi encaminhado aos órgãos competentes para as providências cabíveis[1].
A Secretaria de Educação e Cidadania afirmou que tomou conhecimento da situação "imediatamente" e reforçou que situações dessa natureza são tratadas com rigor, seguindo todos os protocolos de segurança e assistência previstos[1].
Fonte original: Metrópoles – São Paulo.
