A direção da campanha de reeleição do presidente Lula (PT) decidiu tratar com urgência a situação do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, para evitar que a crise envolvendo o caso Banco Master atinja o principal reduto eleitoral do presidente na Bahia. Durante reunião da coordenação da campanha, realizada na segunda-feira 22 em Brasília, o grupo avaliou que a indefinição sobre a permanência de Wagner na liderança gera ruído político e desgaste em um dos principais palanques do partido no Nordeste[1][2].
A Polícia Federal deflagrou a 9ª fase da Operação Compliance Zero, apontando Wagner como beneficiário central de vantagens indevidas ligadas ao Banco Master, incluindo um apartamento de luxo em Salvador, voos privados e ingressos para shows internacionais[1][3]. A PF investiga se o senador recebeu pagamentos em troca de apoio a medidas no Congresso que favorecessem o banco, como a chamada "Emenda Master"[2][6]. Wagner nega as irregularidades e afirma que o apartamento foi uma negociação particular para ajudar a filha, enquanto o dinheiro apreendido veio de diárias de viagens oficiais[1][3].
A expectativa é que Lula e Wagner definam juntos o futuro da liderança do governo no Senado em uma reunião prevista para esta quarta-feira 24[1][8]. Auxiliares do governo avaliam que a eventual saída do senador da liderança ajudaria a separar o desgaste da investigação da atuação do Palácio do Planalto, sem afastá-lo da campanha eleitoral[1][8]. Apesar da pressão para que deixe o posto, o PT trabalha para preservar Wagner no principal palanque do partido na Bahia, onde ele é candidato à reeleição[1][2].
Wagner integra o núcleo político que sustenta a hegemonia petista no estado ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, que disputará novo mandato, e do ex-governador Rui Costa, também pré-candidato ao Senado[1]. Lula pretende participar dos atos de 2 de Julho em Salvador para reforçar o apoio às candidaturas do grupo, em um evento que já se transformou em uma das principais vitrines políticas do presidente fora de Brasília[1][2]. A preocupação da direção da campanha é evitar que a crise envolvendo Wagner atinge justamente o estado considerado o maior reduto eleitoral do presidente, que foi decisivo para sua vitória em 2022 e continua estratégico para a reeleição[1][2].
Participaram da reunião da coordenação da campanha de Lula na sede nacional do PT: Edinho Silva, Gilberto Carvalho, Mônica Valente, José Sérgio Gabrielli, José de Filippi e Luna Zaratini[1]. Segundo relatos, houve consenso de que cabe a Lula e Wagner definir o futuro da liderança, mas também o entendimento que a decisão não deve se arrastar diante da proximidade dos eventos na Bahia[1]. Em 2 de julho, Lula participará, pelo quarto ano consecutivo, das celebrações da independência do estado, data que marca a expulsão definitiva das tropas portuguesas de Salvador, em 1823[1].
Além do tradicional desfile cívico pelas ruas da capital baiana, o presidente deverá participar de agendas institucionais, como a reinauguração do Teatro Castro Alves e outros anúncios do governo federal[1]. Nos últimos anos, o 2 de Julho deixou de ser apenas uma celebração histórica para se transformar em um dos principais atos políticos do presidente fora de Brasília, reunindo as principais lideranças do PT na Bahia e sendo considerado uma vitrine da força eleitoral do partido no Nordeste[1].
