A Qualcomm está em uma corrida acelerada para se tornar um protagonista no mercado de data centers de inteligência artificial, tentando compensar o tempo perdido em relação à Nvidia. Liderada pelo CEO brasileiro Cristiano Amon, a empresa de chips está diversificando sua estratégia para além dos smartphones, com foco em IA e em uma nova geração de infraestrutura de data center. Na última semana, a companhia anunciou um acordo plurianual com a Meta — dona do Facebook — como seu primeiro cliente para CPUs de data center, além de parcerias com a Microsoft, sinalizando que chips para outros usos além de smartphones já representam 28% da receita total da Qualcomm no último ano fiscal.

Impulsionada pela aquisição da Nuvia em 2021, a Qualcomm já oferece chips altamente avaliados em produtos de consumo além dos smartphones, como telas expansivas de infotainment de Mercedes-Benz CLA, óculos inteligentes da Meta e laptops da Dell. Agora, a empresa pretende acelerar essa diversificação com novas aquisições voltadas ao mercado de data centers de IA, onde o capex ultrapassa centenas de bilhões de dólares. Entre as aquisições recentes, a Alphawave Semi trouxe chips de conectividade de alta velocidade e um laboratório de design de silício customizado, enquanto a Modular forneceu software para inferência de IA e programação, completando o stack tecnológico necessário.

A Qualcomm montou um conjunto de tecnologias para data centers de IA que inclui quatro peças-chave: um chip de inferência de alta velocidade (plataforma HBC), uma CPU (com a Meta como primeiro cliente), chips de rede de alta velocidade e software maduro. A primeira geração do chip HBC estará disponível para testes com clientes no ano que vem, com a segunda geração prevista para 2028. A CPU Dragonfly C1000, que será usada pela Meta a partir de 2028, é parte dessa estratégia. Satya Nadella, presidente-executivo da Microsoft, destacou que o HBC implementa uma arquitetura inovadora com alta largura de banda de memória e capacidade computacional integrada, capaz de melhorar custo e desempenho na próxima geração de infraestrutura de IA.

Essa tendência de inferência — processo conhecido como execução de modelos de IA — está se tornando a carga de trabalho mais relevante, superando a criação de novos modelos de IA. Agentes de IA, softwares que executam tarefas complexas por comandos conversacionais, usam mil vezes mais inferência do que humanos, segundo estudo de pesquisadores do Google e Microsoft. Com isso, concorrentes da Nvidia, como a Qualcomm, veem oportunidade de avançar nesse mercado gigantesco, enquanto clientes da Nvidia buscam diversificar fornecedores e desenvolver chips customizados. A Qualcomm espera que seus produtos para data centers de IA cheguem ao mercado no ano fiscal de 2027, ganhando volume nos dois anos seguintes, com previsão de gerar receita relevante já no próximo ano fiscal.

A Qualcomm está um pouco atrasada para a mesa, mas tudo indica que será um banquete quando a refeição seja servida. A empresa busca que chips para smartphones representem apenas um terço das vendas até 2029, com data centers de IA e outros segmentos impulsionando o crescimento. Fonte original: InvestNews – Negócios.