O Bitcoin (BTC) voltou a perder o patamar de US$ 60 mil nesta sexta-feira (26), negociando-se no menor nível em quase dois anos. Se o ritmo atual se mantiver, a criptomoeda deve fechar junho com uma queda de aproximadamente 20%, o pior desempenho desde junho de 2022. As principais criptomoedas, que costumam seguir a direção do Bitcoin, operam no mesmo caminho negativo, com exceção da Solana (SOL), que registra leve alta. O Ethereum (ETH) cai 5,34%, enquanto o XRP recua cerca de 4%[1][2].
Há cinco fatores principais que explicam esta queda acentuada do Bitcoin e, consequentemente, das altcoins:
1. Saídas Recordes dos ETFs de Bitcoin
Os ETFs (fundos negociados em bolsa) de Bitcoin continuam registrando saídas líquidas massivas de recursos. Na quinta-feira (25), os produtos americanos ligados à criptomoeda tiveram saídas de quase US$ 700 milhões. Desde 20 de maio, os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA acumulam saídas de mais de 40.000 BTC (aproximadamente US$ 3 bilhões) em dez dias consecutivos[1][3]. Esses fundos são a principal porta de entrada para investidores institucionais, e suas saídas sinalizam que os grandes investidores estão mais cautelosos com o mercado cripto[1]. A Glassnode relata que a demanda institucional perdeu força, com menor volume de negociações e resgates contínuos[1][2].
2. Vendas de Ações de Tecnologia e IA
Um segundo fator que pesa sobre o Bitcoin é a forte venda de ações de tecnologia, especialmente das empresas ligadas à Inteligência Artificial (IA). Investidores questionam se os investimentos bilionários no setor justificam avaliações tão elevadas e realizam lucros após a forte valorização dos últimos meses. Como o Bitcoin é considerado um ativo de maior risco, ele costuma acompanhar o desempenho desse segmento e acabou sendo pressionado também[1][5]. Cerca de US$ 400 bilhões migraram para infraestrutura de IA, enquanto o BTC despencava, indicando uma rotação de capital[4].
3. Conflito EUA-Irã e Pressão Inflacionária
O conflito entre EUA e Irã no Oriente Médio impulsiona a inflação e suprime as expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed). A tensão geopolítica elevou os preços do petróleo, dificultando a política monetária mais expansiva que beneficiaria ativos de risco como criptomoedas[1][3]. O mercado de juros passou a precificar com maior probabilidade até uma alta de 25 pontos-base pelo Fed em 2026, cenário que historicamente reduz o apetite por criptomoedas[3][4].
4. Vendas por Grandes Investidores (Baleias) e Strategy
Rumores de mercado sugeriram que a Strategy (MSTR), maior evangelista institucional do Bitcoin, vendeu Bitcoin pela primeira vez em anos, vendendo 32 unidades por US$ 2,5 milhões para cobrir distribuições a detentores de ações preferenciales[1][3]. Esse simbolismo abalou a confiança do mercado. Além disso, baleias que detêm entre 10 e 10.000 BTC venderam quase 25.000 BTC apenas na última semana, exacerbando as saídas de capital[1][2].
5. Falta de Catalisadores de Reversão
O Bitcoin segue sem um catalisador claro de reversão, com ETFs ainda em modo de resgate e o cenário macroeconômico pressionado. A CryptoQuant alerta que a acumulação por ETFs e tesourarias corporativas desacelerou significativamente nos últimos meses, indicando enfraquecimento de uma das principais fontes de demanda que sustentou a alta anterior[3].
Embora uma nova queda acentuada seja considerada improvável, analistas não descartam um reteste da marca de US$ 60.000 nos próximos dias[1].
