O brasileiro Rafael Oliveira foi anunciado nesta terça-feira (23/6) como o novo CEO global da Heineken, marcando um movimento inédito na história da cervejaria holandesa. Este é o primeiro caso em 87 anos de empresa de capital aberto — ou com ações negociadas em Bolsa — em que a Heineken recrutou um CEO de fora dos seus quadros corporativos[1][7].
Oliveira, de 51 anos, assumirá a gestão da segunda maior cervejaria do mundo por um período de quatro anos, com início oficial em 1º de outubro de 2026[1][4]. Antes disso, ele era CEO da JDE Peet’s, empresa de café e chá que detém no Brasil as marcas Pilão e L’Or[1].
Missão desafiadora: Oliveira terá a tarefa de liderar a Heineken em um plano de redução de 6 mil empregos globais, com o objetivo de reverter a queda nas vendas de cerveja e acompanhar os retornos para investidores do rival Anheuser-Busch InBev[1]. A empresa holandesa enfrenta uma tendência mundial de redução do consumo de cerveja e tem ficado atrás de concorrentes como Anheuser-Busch InBev e Carlsberg[2].
Formação e trajetória: Graduado em Economia, Oliveira possui MBA pela Universidade de Chicago e iniciou sua carreira no Banco Icatu e no Banco BBA-Creditanstalt. Também trabalhou no Goldman Sachs por dez anos e foi diretor de mercados internacionais na Kraft Heinz[1].
Reação do mercado: Após o anúncio da escolha de Oliveira, as ações da Heineken chegaram a subir 3,2% na Bolsa de Amsterdã, sinalizando otimismo dos acionistas com a nova liderança[1]. A reformulação da gestão ocorre após a saída do ex-CEO Dolf van den Brink, que passou seis anos no comando e mais de 28 anos nos quadros da empresa[3].
Com esta nomeação, Oliveira não só será o primeiro "outsider" a comandar a Heineken, mas também o segundo não holandês a ocupar o cargo de CEO da companhia[7]. A Heineken é controlada pela família De Carvalho-Heineken, que detém participação majoritária e ocupa cinco dos oito assentos no conselho da holding[1].
