A Raízen, produtora brasileira de açúcar e combustíveis, anunciou uma nova redução de R$ 1 bilhão (US$ 193 milhões) em seus investimentos para o ano fiscal iniciado em abril, após registrar uma queima de caixa de R$ 3,4 bilhões nos primeiros três meses de 2026 e quase dobrar suas despesas com impairment (baixa contábil) no ano-safra.
Durante teleconferência de resultados nesta terça-feira, o CEO Nelson Gomes explicou que a medida ocorre em um contexto de reestruturação de dívida, já que a companhia havia reduzido cerca de R$ 3 bilhões em despesas de capital no ano-safra anterior. O CFO Lorival Luz afirmou que, embora a queima de caixa tenha sido significativa, a empresa já passou pela 'fase mais aguda' da pressão sobre o fluxo de caixa, mantendo hoje uma posição de caixa acima do mínimo necessário para as operações do dia a dia.
A queima de caixa foi impulsionada pela redução de acordos de financiamento com fornecedores, mas Luz garantiu que as negociações estão voltando ao normal com o avanço da reestruturação. No início do mês, a Raízen obteve aprovação dos credores para reestruturar cerca de R$ 65 bilhões em dívida, a maior recuperação extrajudicial da história do Brasil. Pelo plano, 45% da dívida será convertida em aproximadamente 80% de participação acionária, e a acionista Shell Plc aportará R$ 3,5 bilhões na companhia.
A empresa também informou ter registrado R$ 22,5 bilhões em baixas contábeis no último ano-safra, valor bem acima da estimativa inicial de R$ 11 bilhões. Segundo a companhia, as perdas estão relacionadas à incerteza sobre sua capacidade de continuar operando e à menor recuperação de valor de alguns ativos. As baixas não afetam o processo de reestruturação, e a empresa espera reverter entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões desses impairments ao longo do processo extrajudicial.
Como parte da reorganização, a Raízen será dividida em dois negócios separados: uma empresa de distribuição de combustíveis e outra de produção de açúcar e etanol, com previsão de conclusão até o fim de 2027. A maior parte da dívida reestruturada ficará alocada na unidade de distribuição de combustíveis. No trimestre, o negócio de açúcar e etanol registrou alta de 23% no lucro ajustado antes de juros e impostos, enquanto a unidade de distribuição de combustíveis avançou 60% no lucro ajustado.
Analistas do Citi, liderados por Gabriel Barra, classificaram os resultados como fracos, observando que a alta alavancagem e os pagamentos de juros continuam drenando a maior parte das melhorias operacionais. A Raízen, criada como joint venture entre a Shell e a Cosan S.A., enfrenta dificuldades devido a apostas estratégicas malsucedidas, juros altos e safras fracas.
Fonte original: InvestNews – Negócios.
