Setor aéreo pede à Comissão Europeia suspensão do EES: novo controle de passaporte provoca filas de até 5h, ameaçando o turismo na alta temporada de verão.

Representantes do setor aéreo europeu, incluindo ACI Europe (aeroportos), Airlines 4 Europe (companhias) e Iata (Associação Internacional de Transportes Aéreos), elevaram o tom contra a União Europeia. Em carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nesta quarta-feira (1º), pedem a suspensão ou flexibilização urgente do novo Sistema de Entrada e Saída (EES).

Este controle de passaporte biométrico, totalmente implementado em abril, tem causado filas de até cinco horas em aeroportos como o Humberto Delgado, em Lisboa. A situação é descrita como um "ponto crítico", fazendo com que aviões partam com apenas metade dos passageiros em alguns casos.

O alerta visa os meses de julho e agosto, principal período de férias no hemisfério norte, quando se espera um acréscimo de 40 milhões de passageiros no continente. Sem mudanças, o setor projeta um "agravamento significativo" de uma situação já muito difícil para milhões de viajantes de fora do Espaço Schengen, conforme informação divulgada por MUNDO.

O EES, sigla em inglês para Sistema de Entrada e Saída, foi concebido para coletar dados biométricos de viajantes de fora do continente, como brasileiros, americanos e britânicos. A longo prazo, o sistema visa agilizar o processo de verificação e aumentar o controle imigratório, um tema sensível na Europa. Contudo, em sua fase inicial, os efeitos são opostos.

As entidades do setor aéreo são taxativas: "o EES está causando graves consequências operacionais, prejudicando os passageiros e colocando as autoridades de fronteira, os aeroportos e as companhias aéreas sob uma pressão insustentável". Os atrasos no controle de fronteira aumentaram significativamente, chegando agora a até 5 horas durante os horários de pico nos aeroportos.

O Caos nas Fronteiras Aéreas Europeias com o EES

O problema ganhou notoriedade global após o vídeo de uma repórter da CNN viralizar, mostrando filas quilométricas no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. A jornalista relatou horas de espera para acessar os totens biométricos e, em seguida, outra fila imensa para os agentes de fronteira, tudo isso tentando embarcar para Londres.

Lisboa, um dos principais portos de entrada para passageiros brasileiros na Europa, é recorrentemente afetada. No mês passado, o governo português mobilizou 350 agentes extras para tentar mitigar o problema. A ANA, concessionária do aeroporto, agora recomenda chegar "com a maior antecedência possível" para voos fora da União Europeia, sugerindo ao menos quatro horas.

Atenas também registra problemas frequentes desde a implementação completa do sistema, em abril. No mês passado, 20 passageiros de um voo da Ryanair tentaram invadir o portão de embarque após a liberação da alfândega em uma espécie de mutirão. Grandes hubs como Paris, Amsterdã e Frankfurt tiveram problemas pontuais, mas a preocupação é crescente com a chegada do período de férias.

Reação Defensiva da Comissão Europeia e Medidas Mitigatórias

Questionada sobre os alertas, a Comissão Europeia mantém uma postura defensiva. Um porta-voz afirmou que o problema é limitado a apenas alguns aeroportos, onde "os Estados-Membros não conseguem garantir a capacidade operacional necessária". Apesar de prometer uma reunião com o setor, a Comissão já havia declarado na semana anterior que o sistema estava "funcionando bem" e que filas longas "não estão relacionadas à operação do EES".

No entanto, algumas medidas estão sendo tomadas. Em Portugal, a partir deste fim de semana, o sistema será suplementado por uma verificação exclusivamente manual quando a expectativa de espera nas filas superar 40 minutos. O secretário português de Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, chegou a pedir desculpas aos viajantes brasileiros em entrevista ao jornal O Globo.

O grupo Air France-KLM, que opera 46 voos semanais entre o Brasil e a UE, reconheceu que "nem tudo está transcorrendo como esperado" durante a implementação do novo sistema. A empresa espera que as autoridades e demais envolvidos deem "total atenção" à situação, dada a pressão sobre passageiros e operações.

Perguntas Frequentes

O que é o sistema EES da União Europeia?

O EES, ou Sistema de Entrada e Saída, é um novo controle de passaporte biométrico da União Europeia que coleta dados de viajantes de fora do continente. Ele visa agilizar futuras verificações e aumentar o controle imigratório, sendo obrigatório para cidadãos de países como Brasil, EUA e Reino Unido.

Quais problemas o EES está causando nos aeroportos europeus?

Desde sua implementação total em abril, o EES tem provocado atrasos significativos de até 5 horas no controle de fronteira, especialmente em aeroportos como Lisboa e Atenas. Isso resulta em voos partindo com menos passageiros e uma pressão insustentável sobre companhias aéreas e autoridades, com o setor aéreo alertando para um "ponto crítico".

O setor aéreo pediu a suspensão do EES?

Sim, representantes de aeroportos (ACI Europe), companhias aéreas (Airlines 4 Europe) e da Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata) enviaram uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pedindo a suspensão ou flexibilização urgente do EES, especialmente para a alta temporada de férias de julho e agosto.

Como a Comissão Europeia reagiu às reclamações sobre o EES?

A Comissão Europeia adotou uma postura defensiva, afirmando que os problemas são limitados a alguns aeroportos onde os Estados-Membros não garantem a capacidade operacional. Embora prometa uma reunião com o setor, a Comissão já declarou que o sistema está "funcionando bem", desvinculando as longas filas da operação do EES.

Quais aeroportos foram mais afetados pelo EES até agora?

Os aeroportos mais afetados pelo novo sistema EES incluem o Aeroporto Humberto Delgado em Lisboa, principal porto de entrada para brasileiros, e o aeroporto de Atenas. Grandes centros como Paris, Amsterdã e Frankfurt têm registrado problemas pontuais, mas a preocupação cresce com a previsão de 40 milhões de passageiros adicionais na alta temporada de verão.