Dados da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE revelam desempenho abaixo do esperado e desaceleração no acumulado de 12 meses.

O setor de serviços no Brasil registrou uma queda de 0,4% em maio, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (15). A retração foi puxada principalmente pelo desempenho negativo da área de transportes, impactando diversas atividades econômicas.

Este resultado frustrou as expectativas do mercado, que projetavam um intervalo entre -0,3% e 0,6%, com uma mediana de 0,0%, segundo a Secretaria da Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda. A contração acende um alerta sobre o ritmo da economia brasileira, especialmente após períodos de crescimento.

Apesar da queda mensal, o setor ainda mostra sinais de recuperação em perspectivas mais amplas. Em comparação com maio do ano passado, houve um crescimento de 0,4%, e no acumulado de janeiro a maio, o avanço foi de 1,9% em relação ao mesmo período de 2025, sinalizando uma dinâmica complexa para o setor que engloba turismo, restaurantes e tecnologia.

Freio nos Transportes e Setores em Destaque

A análise detalhada do IBGE aponta que, dos cinco grandes grupos de atividades investigados na Pesquisa Mensal de Serviços, dois contribuíram para a retração geral na passagem de abril para maio. O principal fator foi a desaceleração no segmento de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, que apresentou uma queda de 1%.

Este grupo tem um peso significativo de 33,67% na composição do setor, o que explica sua forte influência no resultado negativo. Além dos transportes, o segmento de "Outros serviços" também registrou um recuo, caindo 1,9% no período. Em contraste, os "Serviços profissionais, administrativos e complementares" tiveram alta de 2%.

Os "Serviços prestados às famílias" mostraram um leve crescimento de 0,2%, enquanto os "Serviços de informação e comunicação" permaneceram estáveis em 0%. Essa heterogeneidade nos resultados reflete as diferentes dinâmicas e desafios enfrentados pelos variados subsegmentos do setor de serviços.

Análise de Especialista e Fatores de Impulso

O analista da pesquisa do IBGE, Rodrigo Lobo, detalhou as razões por trás da performance dos transportes. Ele explicou que a queda se deveu principalmente à "menor receita das empresas de transporte aéreo de passageiros, transporte rodoviário de carga e de logística". O volume de transporte de passageiros recuou 1,3% em maio, enquanto o transporte de cargas teve variação negativa de 0,2%.

Por outro lado, Lobo destacou a resiliência dos serviços prestados às famílias, que atingiram o maior patamar desde dezembro de 2014. Segundo ele, esse avanço é uma resposta a variáveis econômicas favoráveis, como o "desemprego baixo, massa de rendimentos elevadas e nível de preços controlado", indicando uma melhora no poder de compra dos consumidores.

Essa combinação de fatores sugere que, embora o setor de serviços enfrente desafios pontuais em áreas como os transportes, há segmentos que se beneficiam de uma economia mais estável e do consumo interno. A diversidade do setor permite que alguns setores compensem, em parte, o desempenho mais fraco de outros.

Desempenho do Turismo no Brasil e Cenário Pós-Pandemia

A pesquisa também trouxe dados sobre o Índice de Atividades Turísticas (Iatur), que reflete a performance de um conjunto de 22 atividades ligadas ao turismo. Este índice recuou 0,4% em maio na comparação com o mês anterior, alinhado à queda geral do setor de serviços.

No entanto, a perspectiva de longo prazo para o turismo é mais positiva. O Iatur acumula uma expansão de 1,7% nos últimos 12 meses. Atualmente, as atividades turísticas se encontram 10,8% acima do patamar pré-pandemia de covid-19, embora ainda estejam 2,5% abaixo do maior nível já alcançado, registrado em dezembro de 2024.

O índice abrange atividades como hotéis, agências de viagens, bufês e transporte aéreo de passageiros, com informações divulgadas para 17 unidades da federação, incluindo grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A recuperação do turismo demonstra a capacidade de adaptação e a demanda reprimida pós-crise sanitária.

Nível Pós-Pandemia e Ritmo de Expansão

Apesar da retração em maio, o setor de serviços como um todo se mantém 19,6% acima do nível pré-pandemia de covid-19, registrado em fevereiro de 2020. Contudo, o setor ainda está 0,5% abaixo do maior nível histórico, que foi alcançado em outubro de 2025, indicando espaço para recuperação e crescimento futuro.

No acumulado de 12 meses, a alta do setor foi de 2,6%, um número que, embora positivo, representa uma redução no ritmo de expansão. Em abril, esse acumulado estava em 2,9%, sinalizando uma desaceleração na trajetória de crescimento que vinha sendo observada. Essa redução no ritmo levanta questões sobre os desafios que o setor pode enfrentar nos próximos meses.

O comportamento do setor de serviços, um pilar importante da economia brasileira, continuará sendo monitorado de perto por analistas e formuladores de políticas. A queda nos transportes serve como um lembrete da sensibilidade do setor a fatores específicos e da necessidade de políticas que estimulem a sua resiliência e expansão.

Perguntas Frequentes

Qual foi a queda do setor de serviços em maio?

O setor de serviços no Brasil registrou uma queda de 0,4% em maio, de acordo com dados da Pesquisa Mensal de Serviços divulgados pelo IBGE.

O que mais impactou a queda do setor de serviços?

A retração foi impulsionada principalmente pelo desempenho negativo do grupo de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, que caiu 1% e tem um peso de 33,67% na pesquisa.

Como o resultado de maio se compara às expectativas do mercado?

O resultado de -0,4% ficou abaixo da mediana das expectativas de mercado, que era de 0,0%, segundo a Secretaria da Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda.

O setor de serviços está acima ou abaixo do nível pré-pandemia?

Apesar da queda em maio, o setor de serviços ainda se encontra 19,6% acima do nível pré-pandemia de covid-19, registrado em fevereiro de 2020.

Quais atividades de serviços tiveram crescimento em maio?

Os Serviços profissionais, administrativos e complementares tiveram uma alta de 2%, e os Serviços prestados às famílias cresceram 0,2%, atingindo o maior patamar desde dezembro de 2014, impulsionados por fatores como desemprego baixo e massa de rendimentos elevadas.