O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), decidiu acionar a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil para solicitar esclarecimentos sobre eventuais suspeitas de financiamento de partidos de esquerda por organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). A decisão foi anunciada nesta terça-feira (23/06/2026), logo após o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), André Mendonça, ordenar a remoção de publicações nas redes sociais atribuídas ao parlamentar.

A postagem removida, conforme relatado pela jornalista Manoela Alcântara em coluna do Metrópoles, foi interpretada pelo ministro Mendonça como uma acusação formal ao Partido dos Trabalhadores (PT) de recebimento de recursos de facções criminosas, sem apresentação de elementos mínimos que sustentassem a alegação. Em resposta, Sóstenes Cavalcante afirmou que acatou a determinação judicial e apagou o conteúdo dentro do prazo de 24 horas, mas discorda da decisão, pois defende que apenas relatou a existência de suspeitas do governo americano sobre o tema.

“Eu não fiz nenhuma afirmação. Apenas falei que há suspeita do governo americano, e ninguém melhor do que o próprio governo americano para dizer público e notavelmente a toda a imprensa e aos brasileiros se há ou não esse tipo de suspeita”, declarou o líder do PL. Em resposta, o parlamentar protocolou um ofício à Embaixada dos EUA e solicitou uma audiência pública com representantes da missão diplomática norte-americana, além de requerer informações na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Credn) da Câmara.

É importante destacar que, em maio de 2026, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a classificação do PCC e do CV como “Organizações Terroristas Estrangeiras” (FTO) e “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGT), equiparando-as a grupos como Hamas, Hezbollah e Al Qaeda. Contudo, na legislação brasileira, essas facções são tratadas como organizações criminosas, não como terroristas, conforme apontado pela análise jurídica do caso.

Sóstenes Cavalcante também ressaltou que reconhece e respeita André Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, mas não é obrigado a concordar com todas as decisões judiciais. O deputado mantém sua posição de que o governo americano deve fornecer uma manifestação oficial sobre a existência ou não dessas suspeitas de financiamento de partidos de esquerda por facções criminosas na América Latina.