A Stellantis planeja começar a vender na Europa, até 2030, um novo modelo da Jeep que será produzido na China, aprofundando a cooperação estratégica com a parceira Dongfeng Motor Corp.. A montadora ocidental e a gigante chinesa vão produzir em conjunto um SUV de grande porte, que será lançado junto com outros novos modelos que carregam o nome icônico da marca, conforme anunciado por Fabio Catone, chefe da Jeep na Europa, em uma chamada com a imprensa[1].
A nova iniciativa dá continuidade à reversão da redução da presença na China promovida pelo ex-CEO Carlos Tavares, que em 2022 sugeriu que a Stellantis poderia encerrar a produção no maior mercado automotivo do mundo, surpreendendo a Dongfeng[4]. O atual CEO Antonio Filosa reativou recentemente a aliança, e o novo SUV da Jeep será fabricado na unidade da Dongfeng em Wuhan, com veículos destinados a "mercados globais"[2].
Os parceiros também estão criando uma joint venture com investimento combinado de mais de €1 bilhão (aproximadamente 8.000 milhões de yuanes), onde a Dongfeng aportará a maior parte (€870 milhões), enquanto a Stellantis contribuirá com €130 milhões[3]. Esta operação permitirá à empresa chinesa, apoiada pelo Estado, fabricar seus próprios veículos de marcas Jeep e Peugeot em uma fábrica da Stellantis na França, além de produzir na China novos modelos de Jeep para exportação global[2].
Até o fim da década, a Stellantis terá seis modelos Jeep disponíveis na Europa, contra apenas dois atualmente[1]. Entre os lançamentos previstos, o Recon, um modelo todoterreno de grande tamanho exclusivamente elétrico com tração integral, chegará no próximo ano[1]. A empresa também comercializa o modelo Compass na região e vendeu cerca de 280 mil Jeep Avengers na Europa desde 2023[1].
Apesar de Jeep ser historicamente promovida como um veículo essencialmente americano, Catone afirmou que a marca é "americana, certamente, mas também global", garantindo que o novo SUV fabricado na China será "uma Jeep de verdade em todos os aspectos"[1]. A companhia não tem planos, por enquanto, de trazer de volta o Wrangler após seu descontinuo na Europa devido a regras rígidas de emissões[1].
Esta nova iniciativa reforça como as montadoras ocidentais estão cada vez mais dependentes da manufatura, tecnologia e cadeias de suprimentos chinesas para se manterem competitivas, com a Stellantis ampliando também a cooperação com a Zhejiang Leapmotor Technology Co. além da Dongfeng[1].
Fonte original: InvestNews – Negócios.
