O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (25) a transferência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido informalmente como "Papudinha"[1][3]. A mudança deve ocorrer em até 24 horas, com adoção de medidas para preservar a integrid física do preso[1][3].

Vorcaro estava preso desde 19 de março nas dependências da PF, em uma cela especial, sob a expectativa de negociar uma delação premiada[1][4]. No entanto, tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitaram sua proposta de delação em 15 de junho, encerrando as negociações[1][4]. Com isso, o ministro concluiu que não há mais justificativa para mantê-lo em condições especiais na PF, mas também não é adequado enviá-lo ao presídio comum, devido ao risco à sua segurança[1][4].

A "Papudinha" é uma ala diferenciada do Complexo Penitenciário da Papuda, destinada a presos especiais, como policiais militares, advogados e juízes[1]. O local possui regime mais brando de prisão, com quartos sem grades, cozinha e banheiros comunitários, além de área aberta para banho de sol[1]. O ex-presidente Jair Bolsonaro e outros condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 também já foram presos nesse local[1].

Na mesma decisão, Mendonça negou o pedido da defesa de Vorcaro para substituir a prisão preventiva por prisão domiciliar, seguindo parecer da PGR e da PF[1][3]. As investigações apontam movimentações financeiras com indícios de ocultação, blindagem e deslocamento patrimonial[1][3]. O ministro afirmou: "Indefiro, de plano, o pedido de substituição da prisão preventiva pelo regime de custódia domiciliar, ante a ausência de novos elementos capazes de afastar a motivação exaustivamente apresentada"[1].

Vorcaro foi preso novamente na terceira fase da Operação Compliance Zero da PF, que investiga fraudes financeiras no Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao Governo do Distrito Federal[1]. O banqueiro fez duas tentativas de acordo de delação premiada, ambas rejeitadas[1]. Na Papudinha, Vorcaro não poderá ter contato com outros investigados da Operação Compliance Zero, incluindo Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e será vedada sua comunicação com outros presos[4].