O Superior Tribunal de Justiça (STJ) abriu uma investigação criminal contra o ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), por suspeitas de favorecimento ao Banco Master no credenciamento do programa de crédito consignado Credcesta em 2023. A apuração, solicitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e que tramita sob sigilo, analisa se Mendes acelerou ilegalmente a liberação do sistema, que permite empréstimos a servidores públicos estaduais.
Os investigadores focam em um decreto assinado por Mendes em 5 de maio de 2023, que criou uma margem consignável exclusiva de 10% para cartões de benefício. Três dias depois, o Banco Master, de Daniel Vorcaro, pediu autorização para operar o programa. Em 24 horas, o processo foi aberto na instância estadual, e em 12 de maio — pouco mais de 30 minutos após o banco enviar um documento complementar — o governo emitiu parecer favorável definitivo. A portaria que oficializou o credenciamento foi publicada em 1º de junho de 2023, com validade até maio de 2028.
Segundo a Polícia Federal, o período da liberação rápida coincide com uma viagem de Mendes a Nova York para um fórum empresarial, onde Vorcaro também estava presente. A quebra de sigilo bancário do banqueiro localizou uma despesa de US$ 13,3 mil no restaurante Nusr-Et, onde o então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, jantava no mesmo horário.
Mendes, que deixou o governo estadual há três meses para lançar sua pré-candidatura ao Senado, negou qualquer irregularidade em nota ao jornal O Globo. Ele classificou os boatos de encontro com Vorcaro nos EUA como uma "grande mentira" produzida por adversários e afirmou que responsabilizará na Justiça veículos que espalharem o relato. O ex-governador argumenta que o decreto nasceu de uma indicação legislativa de um deputado do PT e que o Banco Master foi apenas um dos 24 bancos credenciados, não sendo o primeiro a ter o cadastro aprovado. Ele também ressaltou que, antes de Mato Grosso, 16 estados já possuíam convênios idênticos com o Master.
Mendes questiona o vazamento seletivo da investigação sigilosa, alegando que o caso "cheira a conspiração política", especialmente por ter ocorrido no dia seguinte à confirmação de sua pré-candidatura. O caso avança sob sigilo no STJ, enquanto Mendes sustenta que o credenciamento do Credcesta seguiu os parâmetros legais de sua gestão.
