O mercado de trabalho brasileiro, em pleno aquecimento, alcançou a menor taxa de subutilização já registrada na série histórica do IBGE. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada em 26 de junho, o indicador caiu a 13,3% no trimestre móvel encerrado em maio de 2026, superando o recorde anterior de 13,4% do último trimestre de 2025.
Com esse patamar, o contingente de subutilizados reduziu-se a 15,1 milhão de pessoas, representando uma queda de 5,7% (menos 920 mil indivíduos) em relação ao trimestre anterior. Em um ano, 1,9 milhão de pessoas deixaram a condição de subutilizados, evidenciando que o "colchão" de trabalhadores disponíveis para absorção pelo mercado está se esgotando.
O que é subutilização?
A subutilização é um indicador mais amplo que a taxa de desemprego (que ficou em 5,6% em maio). Ela mede a parcela da população em idade de trabalhar que não é plenamente aproveitada pelo mercado e gostaria de trabalhar mais. O grupo abrange três categorias:
- Desocupados: quem procurou vaga efetivamente nos últimos 30 dias;
- Subocupados por insuficiência de horas: quem está disponível, quer trabalhar mais horas para atingir 40 horas semanais, mas não consegue;
- Força de trabalho potencial: inclui desalentados (que não procuram emprego por acreditarem que não encontrarão, devido à idade, região ou qualificação) e não desalentados (que querem trabalhar, estão disponíveis, mas não procuraram vaga ou recusaram trabalho).
Contexto histórico e impacto no mercado
A maior taxa de subutilização já registrada foi de 30,7%, no trimestre até agosto de 2020, durante a pandemia de covid-19. Antes da eclosão da pandemia, o índice chegou a 25% em maio de 2019, com 28,4 milhões de pessoas na condição.
William Kratochwill, analista do IBGE, destaca que, embora a taxa de desemprego seja mais conhecida globalmente, a análise da subutilização revela o verdadeiro aquecimento do mercado. "O mercado está absorvendo toda mão de obra possível. Se a mão de obra está ficando mais escassa, o preço vai ter que subir e as condições de trabalho, bem como a qualidade das ofertas, têm que melhorar".
Fonte: Agência Brasil - Economia.
