Decisões de política monetária nos EUA e Brasil nesta quarta-feira oficializam guinada nos juros e nas expectativas de mercado para 2026.
A “Superquarta” de hoje promete ser um marco para a economia global e brasileira. O Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos e o Comitê de Política Monetária (Copom) no Brasil anunciam suas decisões cruciais.
Este dia é aguardado com grande expectativa, pois sinaliza uma clara mudança de rumos nas políticas monetárias. A inflação escalou globalmente, as expectativas de preços futuros estão desancoradas e o mercado já precifica cenários financeiros mais rigorosos.
Essa guinada já foi vista em Bancos Centrais como o Europeu e o do Japão. Agora, investidores voltam seus olhares para os EUA e o Brasil, conforme informação divulgada por InvestNews – Investimentos.
Fed sob Nova Direção: Kevin Warsh e a Pressão dos Juros
A reunião do Federal Reserve (Fed) nesta quarta-feira (17) traz um elemento extra: é o primeiro encontro sob o comando de Kevin Warsh, o novo presidente indicado por Donald Trump. Ele já inicia o mandato sob forte pressão política para reduzir os juros.
Apesar da pressão, o consenso no mercado é que o Fomc, comitê de política monetária dos EUA, manterá as taxas inalteradas, na faixa entre 3,50% e 3,75%. A grande expectativa é a formalização do fim da perspectiva de corte de juros em 2026.
O desafio de Warsh será conciliar expectativas políticas com a necessidade técnica de combater a escalada de preços. A inflação nos EUA, medida pelo CPI, já atinge 4,2% em 12 meses até maio, levando o mercado a prever alta de juros em dezembro.
Uma estratégia possível para o Fed, sob a liderança de Warsh, seria manter os juros inalterados por mais tempo e focar na redução expressiva do seu balanço. Este movimento é conhecido como "aperto quantitativo" (QT).
Analistas esperam que Warsh defenda uma redução mais intensa do balanço de ativos do Fed, que ainda soma cerca de US$ 6,7 trilhões. Desinflar esse portfólio funciona como um aperto das condições financeiras.
Isso acontece porque o Fed deixaria de reaplicar recursos de títulos vencidos em novos papéis, retirando dinheiro de circulação. Pode até vender Treasuries, se buscar um movimento mais agressivo de redução da liquidez.
O acúmulo de títulos e outros ativos no balanço do Fed ocorreu em crises passadas, como a bancária de 2008 e a pandemia, injetando dinheiro na economia. Em 2022, o Fed tinha US$ 8,5 trilhões em ativos.
Houve uma redução cautelosa da carteira até 2025, diminuindo cerca de US$ 2 trilhões. Agora, com Warsh, a perspectiva é retomar o aperto quantitativo de forma mais assertiva, embora este assunto divida opiniões no Fed.
Copom Diante de um Cenário Desafiador
O reposicionamento do Fed tem ramificações diretas nos mercados emergentes, incluindo o Brasil. Uma postura mais restritiva nos EUA, mesmo sem subir juros, afeta o fluxo de capital estrangeiro e os juros domésticos.
Com o Fed sinalizando juros altos por tempo prolongado, os títulos do Tesouro americano (Treasuries) se tornam mais atrativos. Isso desvia recursos globais para os EUA, significando menos dólares no Brasil.
Esse movimento deve gerar pressão de desvalorização do Real. Um câmbio depreciado atua como um choque de custos para a economia brasileira, encarecendo bens industriais e insumos importados, o que eleva a inflação.
A inflação brasileira já sofre com pressões de alta, como a escalada dos preços de combustíveis, fertilizantes e commodities metálicas, especialmente após a Guerra no Irã. Isso limita a margem do Banco Central do Brasil para reduzir a Selic.
Mesmo com forte restrição externa e pressões internas, o consenso para a decisão do Copom nesta Superquarta é de um corte de 0,25 ponto percentual. A Selic deve cair para 14,25% ao ano.
A partir deste ponto, as projeções ficam incertas. Investidores e agentes de mercado veem cada vez menos espaço para quedas mais acentuadas dos juros básicos. Diversas casas de análise revisaram para cima a Selic em 2026.
O Bank of America, por exemplo, projeta a taxa básica de juros em 14,25% ao fim de 2026. Outras instituições como BNP Paribas, XP e Banco Pine veem a Selic em 14% para o mesmo período.
O mais recente relatório Focus, do Banco Central, também reflete essa tendência. As previsões para a Selic subiram pela segunda semana seguida, alcançando 13,75% no fim deste ano, às vésperas da reunião do Copom.
A Comunicação do Banco Central Brasileiro em Foco
A decisão da Superquarta será acompanhada de perto, não tanto pelo corte esperado, mas pela comunicação do Banco Central brasileiro. O mercado busca sinais claros sobre o próximo passo da política monetária.
A grande pergunta é se a sinalização indicará uma pausa imediata no ciclo de afrouxamento monetário, ou se ainda haverá a possibilidade de ao menos mais um corte na taxa básica de juros nos próximos meses.
