A Suprema Corte dos Estados Unidos ampliou drasticamente os poderes presidenciais de Donald Trump nesta segunda-feira, 29 de junho de 2026, ao decidir manter a demissão de chefes de agências federais independentes ordenada por ele, mas reafirmar a autonomia do Federal Reserve (Banco Central dos EUA) e proteger sua diretora, Lisa Cook.

Os juízes votaram por 5 a 4 para manter Lisa Cook no cargo, rejeitando a tentativa de Trump de destituir a primeira mulher negra a servir como diretora do Fed, baseada em alegações não comprovadas de fraude hipotecária que ela negou. Cook argumentou que as acusações eram um pretexto para removê-la por divergências em relação à política monetária. O presidente da Suprema Corte, John Roberts, e o juiz conservador Brett Kavanaugh votaram contra a decisão de Trump, afirmando que os governadores do Fed “não servem por mera liberalidade do presidente” e só podem ser destituídos “por justa causa”.

Em outra decisão crucial, a Corte apoiou a demissão de Rebecca Slaughter, integrante democrata da Comissão Federal de Comércio, por 6 votos a 3, anulando o precedente histórico de 1935 (decisão do Executor de Humphrey) que protegia líderes de agências reguladoras da remoção presidencial. Isso significa que presidentes agora têm carta branca para demitir chefes de agências independentes, mesmo por divergências políticas. Slaughter, nomeada por Joe Biden, foi uma das duas comissárias democratas demitidas por Trump logo após seu retorno à Casa Branca.

Trump comemorou a decisão sobre Slaughter como uma “grande vitória”, afirmando que ela “confirma o poder presidencial em nosso país” e é “uma das mais importantes já proferidas em relação aos poderes presidenciais”. No entanto, mudou drasticamente de tom ao abordar a decisão sobre Cook, dizendo nas redes sociais que “tomaremos as medidas cabíveis imediatamente” para garantir que alguém com irregularidades não tome decisões vitais, chamando o veredito de “estritamente processual”.

Em uma decisão separada, a Suprema Corte também se recusou a analisar o recurso de Trump contra a condenação de E. Jean Carroll a pagar 5 milhões de dólares (aproximadamente R$ 25 milhões) após o júri considerar o presidente culpado de abusar sexualmente e difamar a ex-colunista. Carroll alegou que Trump a estuprou por volta de 1996 em um provador da loja Bergdorf Goodman em Manhattan, o que Trump nega. Ele expressou decepção com a decisão e chamou o processo de “um caso falso”.

Fonte original: Carta Capital – Mundo.