Decisão do governador de São Paulo sobre o transporte público metropolitano reflete nova postura e análise crítica da operação de concessionárias como a ViaMobilidade.

O governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), surpreendeu ao anunciar nesta terça-feira (30/6) que reavaliou sua posição e não deve mais privatizar a Linha 17-Ouro do Monotrilho. A declaração foi feita durante a inauguração da estação Washington Luiz, localizada na zona sul da capital paulista.

A mudança de rota na política de concessões, que sempre foi uma bandeira de sua gestão, foi justificada pelo governador como uma capacidade de adaptação. Ele enfatizou a importância de não conceder serviços “por conceder”, mas sim focar na melhoria e atração de investimentos para o sistema de transporte.

A Linha 17-Ouro fazia parte de um pacote de concessão à ViaMobilidade em 2018, que incluía também a Linha 5-Lilás do Metrô. A decisão vem em um contexto de crescentes questionamentos sobre a qualidade dos serviços prestados por operadores privados, conforme informação divulgada por GERAL.

Tarcísio explica a guinada sobre concessões

Durante seu discurso, Tarcísio de Freitas afirmou categoricamente a necessidade de flexibilidade. “Acho que a capacidade que a gente tem que ter é de mudar de opinião”, declarou o governador. Ele ressaltou que a prioridade é sempre buscar onde é possível trazer mais investimento e, consequentemente, melhorar o serviço público para a população de São Paulo.

O governador defende uma abordagem pragmática, afastada de dogmas. Segundo ele, a busca é pela melhor maneira de prestar o serviço, e não por fazer concessões por princípio. A administração estadual parece agora mais inclinada a manter a operação de certas linhas nas mãos de empresas estatais, como o Metrô.

Desempenho da ViaMobilidade sob escrutínio

A ViaMobilidade, empresa que operaria a Linha 17-Ouro, tem sido alvo de controvérsias. Em maio, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) abriu um inquérito civil para investigar falhas recorrentes nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda dos trens metropolitanos, que são operadas pela concessionária. Denúncias de má prestação de serviços e até mesmo o descarrilamento de máquinas, após a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em 2023, motivaram a investigação.

Em nota, a ViaMobilidade informou que, até o momento, não há tratativas formais sobre eventuais mudanças na operação da Linha 17-Ouro e que permanece à disposição para dialogar com o poder concedente. A situação da empresa levanta questões sobre a eficiência das privatizações no setor de transporte paulista.

Estratégia para o transporte paulista e o cenário eleitoral

Tarcísio de Freitas também expressou sua preocupação em não concentrar todas as linhas do transporte metropolitano em poucas empresas operadoras privadas. “A realidade é que o metrô está operando muito bem. E aí, hoje, a minha tendência é que continue o metrô operando essas linhas”, disse ele, indicando uma preferência pela gestão estatal em alguns segmentos.

A intenção do governo agora é expandir as linhas operadas diretamente pelo Metrô, para evitar riscos de dependência de poucos operadores privados. Essa mudança de postura ocorre em um momento político sensível, com a privatização da Sabesp, concedida em 2024, sendo um dos principais alvos de ataques de adversários, como Fernando Haddad (PT), que também deve disputar o governo paulista.

O pragmatismo do governador diante das polêmicas

Questionado se sua mudança de posição teria relação com o período eleitoral, o governador negou veementemente. “Para para pensar quantas vezes eu já mudei de opinião. Diversas vezes, em diversos assuntos, não sou dono da verdade”, afirmou Tarcísio de Freitas, reforçando sua postura pragmática.

O governador explicou que sua prioridade é sempre buscar a melhor forma de prestar o serviço à população, sem se prender a dogmas ou agendas pré-estabelecidas. Essa flexibilidade, segundo ele, é essencial para uma gestão eficaz e adaptável às necessidades de São Paulo.

Perguntas Frequentes

Por que Tarcísio de Freitas mudou de ideia sobre a Linha 17-Ouro?

O governador Tarcísio de Freitas afirmou ter “mudado de opinião” para buscar a melhor forma de trazer investimento e melhorar o serviço. Ele destacou que não faz concessões “por conceder”, mas sim com foco no pragmatismo e na eficiência da operação do transporte público em São Paulo.

Qual empresa estava prevista para operar a Linha 17-Ouro do Monotrilho?

A Linha 17-Ouro do Monotrilho fazia parte de um pacote de concessão à ViaMobilidade, assinado em 2018. A empresa deveria assumir a operação da linha assim que a fase assistida fosse concluída, em conjunto com a Linha 5-Lilás do Metrô.

Quais foram as polêmicas envolvendo a ViaMobilidade em São Paulo?

A ViaMobilidade, operadora das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, tornou-se alvo de um inquérito civil do Ministério Público de São Paulo (MPSP) em maio, investigando falhas recorrentes. Houve denúncias de má prestação de serviços e até um descarrilamento, mesmo após a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em 2023.

A decisão de Tarcísio tem relação com as eleições de 2026?

O governador Tarcísio de Freitas negou que a mudança de posição esteja ligada ao período eleitoral. Ele reiterou ser “extremamente pragmático” e que suas decisões visam sempre a melhoria do serviço público, não sendo motivadas por dogmas ou interesses políticos imediatos, mas sim por uma busca constante pela eficiência.

O que é a Linha 17-Ouro do Monotrilho?

A Linha 17-Ouro é um projeto de monotrilho em São Paulo, que visa conectar áreas da zona sul da capital, incluindo o Aeroporto de Congonhas. A linha estava prevista para ser operada pela ViaMobilidade, mas sua privatização foi agora descartada pelo governador Tarcísio de Freitas.