O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira, 24, que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil assume um claro contexto político-eleitoral por oportunismo, embora o governo brasileiro continue negociando com frieza para evitar nova rodada de tarifas. A declaração foi feita durante participação no programa "Bom dia, ministro", da Empresa Brasil de Comunicação (EBC)[2][8].
"Infelizmente e lamentavelmente esse tema, que deveria ser tratado apenas na mesa como pauta comercial, às vezes assume outros contornos de natureza política e eleitoral, num oportunismo que me surpreende sempre e me deixa atônito", afirmou o ministro, destacando a contradição entre a natureza comercial da medida e seus motivações políticas[2][8].
Elias Rosa classificou a nova tarifa dos EUA como "absolutamente injusta" do ponto de vista comercial e "agressiva" à soberania brasileira, reafirmando que o Brasil não aceita a medida, mas continua negociando com técnica e frieza[2][7]. Ele também mencionou que o governo participa de reuniões bilaterais com os EUA, mas que a audiência pública no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, em 6 de julho, será conduzida apenas pela sociedade civil, sem representantes diplomáticos ou comerciais brasileiros[2].
"Situação absurdamente injusta, do ponto de vista comercial, absolutamente agressiva do ponto de vista da soberania, que o Brasil obviamente não aceita, mas continua negociando com muita técnica, com muita frieza", declarou o ministro[2][7].
O ministro garantiu ainda que o programa "Brasil Soberano" terá recursos disponíveis para socorrer empresas e empregos brasileiros, reforçando que o presidente Lula tem plena consciência da necessidade de apoiar o setor privado diante dos desafios geopolíticos modernos[2].
Por fim, Elias Rosa criticou brasileiros que incentivam os EUA a causar danos à soberania do país, considerando tal postura uma "tragédia histórica" e uma "traição política"[2]. "Veja se tem cabimento o governo norte-americano falar que o desafio para ele é a eleição no Brasil e ter brasileiro que celebra isso. Não é possível, isso é uma tragédia do ponto de vista histórico e uma traição do ponto de vista político", finalizou o ministro[2].
Estudos indicam que as tarifas de Trump são profundamente impopulares nos EUA, com 60% dos americanos se opondo à medida, e que praticamente todo o custo do tarifaço foi pago pelos consumidores estadunidenses, funcionando como um imposto indireto sobre o consumo[5][6].
