Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento e Orçamento, pediu nesta terça-feira (23) o afastamento imediato do senador Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado Federal. Em entrevista ao site Poder360, a pré-candidata por São Paulo afirmou que a medida é necessária para evitar que o próprio governo federal seja exposto por uma situação de investigação. "Ele já deveria ter entregue o cargo", disse Tebet. "Falo como advogada: todos têm direito à ampla defesa e ao contraditório, mas ele é líder do governo. Para não expor o próprio governo, deve pedir, obviamente, a meu ver, o afastamento, até para cuidar de sua defesa e fazer os movimentos que achar pertinentes".
Wagner foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 18 de junho, que investiga irregularidades em instituições financeiras, incluindo o Banco Master. A PF aponta Wagner como "suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas" e suspeita que ele tenha recebido pagamentos e benefícios em troca de apoio a medidas no Congresso que ajudariam o Banco Master, como a chamada "Emenda Master"[2]. O senador admitiu que negociou um apartamento de R$ 2,5 milhões em Salvador com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, mas negou vínculo comercial direto com o Master ou com a Credcesta[1][2].
Na quarta-feira (24), Wagner anunciou oficialmente sua saída da liderança do governo no Senado, em nota publicada em suas redes sociais. A decisão foi tomada em "comum acordo" com o presidente Lula da Silva, após reunião no Palácio da Alvorada[1][3]. Em sua mensagem, Wagner descreveu a conversa como "entre amigos" e afirmou que se afastará da liderança para não respingá-la no presidente e em suas chances de reeleição[1][4]. Wagner continua como senador, mas deixa o cargo de líder do governo[2][8].
Simone Tebet também defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Banco Master para garantir transparência no Congresso. "É dever do homem público dar transparência ao verdadeiro dono do poder. O poder vem do povo, a soberania é popular, ele vai às urnas, ele vota e ele quer saber o que o seu congressista está fazendo", afirmou Tebet. "Quando você tem o maior escândalo de corrupção do sistema financeiro do país, quiçá do mundo"[1].
A saída de Wagner era considerada inevitável por analistas, pois o próprio senador reconheceu que o escândalo estava respingando no presidente Lula e em suas chances de reeleição[4]. A operação da PF incluiu buscas e apreensões nas residências do senador em Brasília e Salvador, com acusações de que ele recebeu vantagens do banqueiro Augusto Ferreira Lima[1].
