Durante décadas, a ciência acreditava que a Terra seria inevitavelmente engolida quando o Sol chegasse ao fim de sua vida. No entanto, um novo estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics em 19 de junho sugere que o desfecho pode ser diferente: a Terra pode escapar da expansão da estrela e continuar existindo, embora completamente transformada. A pesquisa combina novos modelos matemáticos com observações de uma estrela semelhante ao Sol, já em fase avançada de evolução, e indica que a sobrevivência do planeta pode ser mais provável do que se imaginava anteriormente[2][3].
Por que a Terra correria esse risco?
Daqui a cerca de 5 bilhões de anos, o Sol perderá o combustível que mantém seu brilho atual e começará a crescer, transformando-se em uma gigante vermelha. Tradicionalmente, a hipótese principal era que esse aumento de tamanho faria a estrela engolir os planetas mais próximos, incluindo a Terra. O novo estudo, porém, aponta que outro fenômeno pode alterar esse cenário[2][3].
Como a Terra poderia escapar?
À medida que envelhece, o Sol não apenas aumenta de tamanho, mas também perde parte de sua massa. Isso reduz sua força gravitacional, fazendo os planetas se afastarem. Se esse afastamento seja suficiente, a Terra poderá escapar da região alcançada pela expansão do Sol. O futuro do planeta dependerá da disputa entre a expansão da estrela e a perda de massa: se a expansão seja mais intensa, a Terra será destruída; se a perda de massa prevalecer, o planeta poderá sobreviver em uma órbita mais distante[2][3].
Mercúrio e Vênus não teriam a mesma sorte
Mesmo no cenário mais otimista, os modelos indicam que Mercúrio e Vênus serão engolidos pelo Sol. A Terra, contudo, ficaria logo além do limite máximo atingido pela estrela, escapando por uma margem considerada pequena pelos pesquisadores. A principal incerteza é quanto de massa o Sol realmente perderá durante essa fase. Para testar essa hipótese, os cientistas usaram observações de uma estrela localizada a cerca de 200 anos-luz da Terra, com características semelhantes às que o Sol terá no futuro[2][3].
Novas missões espaciais, como a PLATO da Agência Espacial Europeia, devem observar estrelas semelhantes ao Sol em diferentes fases da evolução, permitindo refinar os modelos e indicar com mais precisão se a Terra realmente conseguirá escapar da expansão da nossa estrela[2].
Fonte original: Metrópoles – Ciência.
