Equipes internacionais de socorro já desembarcam na Venezuela para auxiliar na busca por sobreviventes após um duplo terremoto que deixou 235 mortos e mais de 4.300 feridos no país. Os sismos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram o norte da Venezuela na quarta-feira (24), provocando o desabamento de dezenas de edifícios, especialmente na região de La Guaira, cidade litorânea próxima a Caracas[1][2].
Na madrugada de sexta-feira (26), socorristas e voluntários ainda vasculhavam os escombros iluminados por refletores, tentando ouvir possíveis chamados de pessoas presas. "Silêncio absoluto", gritava um operário com marreta, enquanto outro pediu uma lanterna para localizar vítimas[1]. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, afirmou que o governo contabiliza mais de 200 pessoas soterradas[1].
Em La Guaira, onde o principal aeroporto do país foi fechado devido aos danos, moradores tentam resgatar parentes com as próprias mãos. Alessandro del Giudice, de 23 anos, busca seu pai sob toneladas de concreto, enquanto sua avó, Amparo, tenta retirar ruínas desesperadamente[1]. A presidente interina, Delcy Rodríguez, declarou a região como "zona de desastre" e anunciou o envio de equipes de outros estados e a chegada de ajuda internacional[1][2].
Socorristas de El Salvador e México já estão em Caracas, enquanto Chile e Suíça enviaram equipes e insumos[1]. Após a promessa de ajuda do presidente Donald Trump, os Estados Unidos ofereceram 150 milhões de dólares e o envio de dois navios de guerra, aviões de transporte e helicópteros para apoiar a Venezuela[1]. Um general do Comando Sul, Kevin J. Jarrard, já está em Caracas para supervisionar as operações humanitárias[1].
Redes sociais foram dominadas por pedidos de informação sobre desaparecidos, com o número oficial de 157 pessoas, mas provavelmente aumentará. A Espanha relata 90 cidadãos desaparecidos e Portugal, 56[1]. Em La Guaira, Jean Alexander Capote, de 48 anos, lamenta: "Minha casa caiu por completo, perdi família, minha sogra morreu, minha filha está desaparecida"[1].
O primeiro terremoto ocorreu às 18h04 locais, seguido quase um minuto depois pelo segundo, de magnitude 7,5, o mais forte registrado na Venezuela desde 1900[1][2]. Mais de 130 tremores secundários foram registrados desde então, com a força dos sismos sentida até na Colômbia[1]. A Venezuela é um país de atividade sísmica, mas um grande terremoto não era registrado desde 1997[1].
AFP Agência de notícias francesa, uma das maiores do mundo. Fundada em 1835, como Agência Havas[1]. Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail[1]. Assine nossa[1].
