Uma colisão fatal envolvendo um Tesla Model 3 em Katy, Texas, deixou uma mulher de 76 anos, Martha Avila Mantilla, morta dentro de sua própria residência e reacendeu as críticas sobre o sistema de assistência ao condutor Autopilot da montadora. O acidente, ocorrido na noite de 19 de junho de 2026, por aproximadamente 20h, resultou em um processo de investigação especial da National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), principal agência federal de segurança automotiva dos EUA[2][7].

Segundo vídeos de segurança divulgados pela KPRC 2 News, o veículo perdeu o controle após bater na guia da rua, foi lançado em direção à casa e atravessou a parede de tijolos, atingindo Avila na sala de jogos da residência[4][5]. A vítima foi levada por helicóptero a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos. O motorista, Michael Butler, de 44 anos, também foi hospitalizado, mas está cooperando com a investigação e não apresentava sinais de embriaguez[1][4].

Jennifer Barbour, filha da vítima, compartilhado no Facebook imagens da câmera de segurança que mostram o carro desgovernado e o impacto violento. Em entrevista à emissora Khou, ela lamentou: 'Este carro voou dentro da minha casa. Minha mãe não merecia isso', afirmando que não sabia a quem atribuir a culpa — se ao motorista, ao veículo ou a uma falha técnica[1][2].

Butler relatou aos investigadores do Departamento do Sheriff do Condado de Harris que estava utilizando o sistema de assistência automatizada à direção do Tesla quando o veículo saiu da pista[1][2]. No entanto, Ashok Elluswamy, Vice-Presidente de Autopilot da Tesla, afirmou em sua rede social X que os dados indicam que o motorista pressionou o acelerador até 100% e continuou pressionando mesmo após o impacto, sugerindo entrada manual e atingindo 73 mph (cerca de 117 km/h) no momento da colisão[2][8]. Essas alegações da Tesla e do motorista ainda estão sob investigação e não foram verificadas independentemente[2].

A NHTSA anunciou na segunda-feira, 22 de junho, a abertura de uma 'investigação especial de acidentes', que examina ocorrências em circunstâncias incomuns[2][7]. Até o momento, o Departamento do Sheriff do Condado de Harris informou que nenhuma denúncia foi formalizada contra Butler, mas o caso será analisado pelo Departamento do Advogado Distrital para possível acusação[1][8]. A polícia local também afirmou que não houve evidências de defeito mecânico no veículo até agora[5][8].

O acidente em Katy, localizado cerca de 48 km a oeste de Houston, soma-se a uma série de 65 mortes documentadas entre 2013 e 2025 em que o Autopilot ou o Full Self-Driving (FSD) da Tesla foram citados como fatores contributivos[2]. Em 2023, a Tesla realizou um recall de mais de 2 milhões de veículos devido à preocupação regulatória sobre a falta de atenção dos motoristas ao usar o software de assistência[2]. Em 2024, a empresa concordou com um acordo em um processo que culpava o software pela morte de um homem na Califórnia em 2018[2].

Uma família de Katy já entrou com uma ação de morte injusta no Condado de Harris, acusando Tesla e Butler de negligência, defeitos de design e falha em alertar sobre os riscos dos sistemas automatizados, alegando que o veículo não detectou o fim da rua ou sofreu aceleração súbita e inesperada[3]. A Tesla ainda não respondeu oficialmente ao pedido de comentário sobre a ação judicial[3].