Relatório da Nexa aponta salto para R$ 10 bilhões em ativos tokenizados, mas o volume é irrisório frente aos R$ 2,75 trilhões do crédito privado nacional.
A tokenização de ativos no Brasil vive um momento de forte expansão. Em apenas doze meses, o valor total tokenizado no país disparou dez vezes, atingindo a marca de R$ 10 bilhões até agosto deste ano. Esse crescimento impressionante contrasta com o mercado global, que dobrou no mesmo período.
Os dados são do “Brazil Tokenization Report 2026”, produzido pela Nexa, e mostram o Brasil na liderança da atividade de tokenização na América Latina. O avanço é impulsionado por tecnologia, Inteligência Artificial (IA) e um ambiente regulatório cada vez mais favorável.
Contudo, apesar do crescimento exponencial, o montante de R$ 10 bilhões ainda representa uma fatia muito pequena do mercado de crédito tradicional brasileiro. Ele equivale a apenas 0,30% dos R$ 2,75 trilhões em crédito privado do Sistema Financeiro Nacional (SFN), indicando um vasto potencial para a tecnologia.
Aceleração no Brasil e a Aposta do Mercado
O relatório da Nexa detalha que o salto no Brasil foi de R$ 1 bilhão para mais de R$ 10 bilhões em apenas um ano. Esse entusiasmo é refletido no capital de risco, com 67% dos fundos de venture capital pesquisados já investindo na tese da tokenização, um aumento significativo em relação aos 40% registrados em 2024.
A percepção geral do mercado também é positiva: 55% dos participantes avaliam que o ambiente para a tokenização melhorou desde 2025. Essa melhora está diretamente ligada à evolução regulatória e ao engajamento crescente de instituições financeiras e empresas de tecnologia.
Não passa um mês sem que grandes nomes do setor financeiro migrem para o universo “on-chain”. Recentemente, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) lançou seu projeto piloto de tokenização. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também criou um Grupo de Trabalho dedicado ao tema, sinalizando o reconhecimento oficial do potencial.
Em agosto, parcerias estratégicas ganharam destaque, como a da Crown e Nexa para oferecer a stablecoin BRLV em produtos de investimento. O Itaú, por sua vez, anunciou uma colaboração com a OpenAssets para avançar na tokenização de debêntures e cotas de fundos dentro do piloto da Anbima, reforçando a seriedade da movimentação.
Tipos de Ativos Tokenizados e sua Concentração
A maior parte do valor tokenizado no país, cerca de 88%, está concentrada em crédito privado, somando R$ 7 bilhões. Na sequência, aparecem R$ 2 bilhões em recebíveis e R$ 1 bilhão em fundos multiativos, mostrando a predominância de instrumentos de dívida nesse novo formato.
Curiosamente, 94% de todo o valor tokenizado está dividido em apenas cinco das 25 classes de ativos on-chain existentes. Quatro dessas cinco classes são diretamente ligadas a instrumentos de crédito: fundos de investimento, dívida pública federal, ações listadas, crédito privado e crédito imobiliário.
A Convergência Entre Finanças Tradicionais e o Mundo On-Chain
A revolução da tokenização é alimentada pelo surgimento de blockchains programáveis e pelas stablecoins, um tipo de dinheiro digital que permite liquidações instantâneas. Essa combinação, aliada à certeza regulatória e à eficiência de novas plataformas, posiciona os Ativos do Mundo Real (RWAs) como a próxima grande inovação financeira.
Globalmente, as primeiras legislações sobre stablecoins, como Genius e Mica, estão em formação e servem de catalisador para a tokenização. No Brasil, embora o debate ainda esteja em andamento, as expectativas são altas. O crescimento dos RWAs tokenizados já supera o dos ETFs (fundos de índice) em seus primeiros anos.
Em apenas três anos, o mercado tokenizado global cresceu 26 vezes, mas ainda está muito aquém do seu potencial. Analistas projetam um mercado de trilhões de dólares nos próximos anos, com a estimativa mais conservadora apontando para US$ 2 trilhões até 2030 – mais de 50 vezes o valor atual de US$ 39,2 bilhões.
A fronteira entre as finanças tradicionais e o universo on-chain está se desfazendo. Grandes instituições financeiras estão desenvolvendo suas próprias infraestruturas de tokenização, enquanto plataformas cripto buscam licenças bancárias. Empresas como Swift, Robinhood, Nasdaq e Mastercard já investem em soluções blockchain e stablecoins, e fusões e aquisições se tornaram a via rápida para essa transição.
Inteligência Artificial e Blockchain: O Futuro da Liquidação
Uma das apostas mais audaciosas do mercado é a sinergia entre Inteligência Artificial (IA) e blockchain. A IA evoluiu de uma ferramenta de recomendação para um agente autônomo, e sua combinação com a blockchain está transformando não apenas o acesso, mas o próprio produto financeiro.
O que antes era um projeto piloto de Tecnologia de Registro Distribuído (DLT), agora se torna a própria camada de liquidação. Essa fusão de IA e blockchain promete ser um dos pilares da próxima grande mudança no setor, abrindo caminhos para inovações financeiras ainda inimagináveis.
Perguntas Frequentes
O que é tokenização de ativos?
A tokenização de ativos é o processo de transformar um ativo físico ou financeiro (como imóveis, ações, créditos ou recebíveis) em um token digital em uma blockchain. Isso permite fracionar o ativo, aumentar a liquidez e facilitar sua negociação de forma mais transparente e eficiente.
Como o mercado de tokenização no Brasil tem crescido?
O mercado de tokenização no Brasil tem tido um crescimento acelerado, com o valor tokenizado subindo dez vezes em doze meses, alcançando R$ 10 bilhões até agosto. Isso posiciona o país como líder na América Latina nesse setor em expansão.
Quais tipos de ativos são mais tokenizados no Brasil?
No Brasil, a maior parte do valor tokenizado, 88%, concentra-se em crédito privado. Outros ativos relevantes incluem recebíveis, fundos multiativos, fundos de investimento, dívida pública federal, ações listadas e crédito imobiliário.
Qual o potencial de expansão da tokenização no futuro?
A tokenização ainda tem um vasto potencial de expansão. Apesar do crescimento expressivo, os R$ 10 bilhões tokenizados representam apenas 0,30% do total de R$ 2,75 trilhões em crédito privado no Brasil. Globalmente, analistas preveem que o mercado pode atingir US$ 2 trilhões até 2030.
Quais instituições financeiras estão envolvidas na tokenização no Brasil?
Grandes instituições já estão ativamente envolvidas na tokenização no Brasil. A Anbima iniciou um projeto piloto, a CVM criou um grupo de trabalho, e empresas como Itaú (em parceria com OpenAssets), Crown e Nexa estão desenvolvendo soluções e parcerias nesse mercado inovador.
